PT, o PT de sempre!

Publicado: 8 de abril de 2015 em Blogroll

Urge essa canalha ser varrida da política brasileira para todo sempre. Amém.

Veja só o desplante que Partido dos Trabalhadores teve nessa terça-feira, de lançar na mídia propaganda oficial querendo se eximir da podridão e da roubalheira que grassa na gestão governamental, verdadeiro antro corrupto sob o comando da gentalha encabeçada por Lula e Dilma.

Aliás, os dois andam digladiando. Luta voraz insana? Certamente. Para eles. Está em jogo a hegemonia-presumida do poder inconsequente do Partido dos Trabalhadores – vulgo PT – sobre todos os outros partidos da coligação infame da qual também faz parte o PMDB. Este que anda dando rabissacas pantomimadas, camaleônicas, contra a forma da governança presidencial, tirando sem qualquer divisão de culpa, o cu da reta, visando ser visto como um possível redentor da pátria, caso Dilma venha a perder o mandato. Não importa como ela deixe o desgoverno: Temer, Temer, Temer…

Na propaganda midiática, o PT detona um romantismo invocador das desgraças alheias como o semeador da seara redentora. Chama para os negros e os pobres de Jó a responsabilidade de ter que apoiar incondicionalmente o governo, pois foram eles que realizaram o milagre da multiplicação dos pães, e não Jesus, conforme está na Bíblia Sagrada dos cristãos; que as empresas aéreas decolaram com a inclusão negra nos seus assentos e estão com as asas navegando os bons ventos da promissão; economia de vento em popa, sobra emprego; tarifas energéticas dentro dos orçamentos dos ex-pobres…

A coisa é tão estapafúrdia, que esqueceram de falar sobre a crise provocada pela incompetência administrativa do governo petista, em especial, da presidente Dilma Vana Rousseff. Uma gestão tão equivocada que está levando o Brasil a bancarrota, e ainda têm o desplante de publicar o pior do pecados, a omissão: “ … colocamos mais gente importante na cadeia por corrupção do que nos outros governos”.

Essa gente importante que foi anônima, mas apropriadamente citada em erro logístico, são os líderes do próprio PT, José Dirceu, José Genoíno, Marcos Valério e mais um balaio corrupto cheio deles, além dos apaniguados empreiteiros, via de regra – à sua ordem, no caso Petrolão da Operação Lava Jato.

Esqueceram também de citar que João Vaccari Neto e outros lambaris (parodiando o linguajar do capo petista Lula da Silva) será o próximo a ir pra cadeia, quando for convocado pelo juiz Sérgio Moro, sem chance alguma de recusar a distinção.

FC

João Passarinheiro (por Mia Couto)

Publicado: 25 de março de 2015 em Blogroll

Publicado originalmente em lituraterre:

"Menino com Passarinho na Gaiola" por Roberto Ploeg - Óleo sobre tela 145x64, 2010. Fonte: http://robertoploeg.blogspot.com

“Inquirido sobre a sua raça, respondeu:

– A minha raça sou eu, João Passarinheiro.

Convidado a explicar-se, acrescentou:

– Minha raça sou eu mesmo. A pessoa é uma humanidade individual. Cada homem é uma raça, senhor polícia.

(Extracto das declarações do vendedor de pássaros).”

O excerto acima, narrado pelo fictício João Passarinheiro, foi criado pela imaginação literária do escritor Mia Couto, moçambicano da gema, alvo de diversos preconceitos pela sua pele… branca.

Ver original

Nem bem iniciou sua curta estadia no berço esplêndido do colo petista, Traumann emitiu documento no qual retratava, à revelia de Dilma, erros cometidos por ela e/ou sua assessoria ministerial. Nele denunciava o caos político em que o governo havia se metido, sugerindo linha de atuação diversa da praticada nos meses iniciais do segundo governo Dilma, inclusive como se portar doravante para melhoria da imagem desgastada do governo nas redes sociais.

O ministro Traumann assim que divulgou o documento, recebeu “férias” compulsórias, num claro movimento do Palácio do Planalto para blindá-lo da imprensa ávida por notícias dos barracos governamentais.

Quem aposta no próximo ministro a cair?

1º – Ciro Gomes

2º – Thomas Traumann

3º – ?

 

FC

A Justiça Federal aceitou as denúncias contra os dois meliantes corruptos envolvidos nas falcatruas e “malfeitos” contra a PETROBRÁS descobertos pela Operação Lava a Jato.

Eis as duas pérolas petistas protegidas de Lula e Dilma Rousseff: João Vaccari Neto, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, vulgo PT, e Renato Duque, meliante ex-diretor de serviços da sangrada PETROBRÁS, a serviço do governo.

PT, contra todas as evidências e provas coligidas, insiste na inocência dos dois larápios. Eles sabem demais. Têm potencial pra derrubar a república petista, e afundar o Brasil na maior crise institucional de todos os tempos.

Lula, sua arrogância está por fio; idem para a insubordinada Dilma. Vão esfolar os joelhos diante do PMDB para conseguir apoio bastante para continuar com a blindagem ativa…

Estão perdendo paulatinamente a base aliada, seja como partido deixando a coligação, ou por rebeldia pessoal de deputados e senadores que não querem continuar a prestar desserviços de toda monta a nação.

FC

A casa civil e o gabinete da presidência da república, tem novo chefe e novo endereço: Eduardo Cunha; Congresso Nacional – Câmara dos Deputados.

Demitir ministro e anunciar a vacância do cargo deixa de ser atribuição da presidente da república ou qualquer interlocutor do Planalto. O ministro da educação, Cid Gomes, foi demitido sumariamente do cargo, tendo como anunciador do fiasco, seu carrasco, o deputado presidente da câmara, Eduardo Cunha, agora saudado pelos pares como Primeiro Ministro. Cunha exigiu e o planalto cumpriu.

Dilma, seus desmandos e malfeitos na forma de MPs, Projetos de Lei e correlatos, agora tem que passar pelo crivo duplo do Congresso, onde o pingue-pongue da política e o traçador dos rumos políticos da nação agora estão sub judice de Renan Calheiros, presidente do senado, e Eduardo Cunha, ambos do PMDB.

A presidente agora come nas mãos deles uma dieta anoréxica cruel que em pouco tempo a deixará na pele e ossos agora não mais duros de roer.

 

FC

 

O PT enfrenta a sua maior crise

Publicado: 21 de março de 2015 em Blogroll

Revista ÉPOCA

O Partido perdeu as ruas, é investigado na Lava Jato e pena no Congresso.

A sigla conseguirá se reerguer?

por ALBERTO BOMBIG COM MURILO RAMOS E FLÁVIA TAVARES

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ESTRATÉGIA
Lula em campanha pela reeleição de Dilma. Ele acha que o PT só reagirá se Dilma conseguir reagir (Foto: Foto: J. F. Diorio/Estadão Conteúdo)

No auge da crise do mensalão, em 2005, quando algumas vozes da oposição começaram a cogitar o impeachment do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, líderes do PT reagiram de forma rápida e incisiva. Afirmaram que, caso alguém arquitetasse a derrubada de Lula, o partido colocaria milhares nas ruas para defendê-lo. Àquela altura, com base no histórico de mobilização do PT, os oposicionistas se contiveram. O poder de agitar as massas era exclusivo dos petistas desde o “Fora Collor”, em 1992, e do “Fora FHC”, sete anos depois. O mensalão foi a primeira grande crise do PT desde que a sigla chegou ao poder, em 2002. A segunda foi em 2013, quando uma onda de manifestações derrubou a popularidade de vários governantes brasileiros, entre eles a presidente Dilma Rousseff. O ano de 2013 mostrou algo novo: o povo estava nas ruas, mas não por obra do PT.

A terceira crise explodiu na semana passada e traz outra novidade. O país se mobilizou, as ruas explodiram com a maior manifestação desde a campanha pelas eleições diretas, em 1984 – e a mobilização não apenas não era convocada pelo PT, como mostrava uma enorme rejeição ao partido. Ao longo da semana, as investigações da Operação Lava Jato, que até então atingiam principalmente as siglas da base aliada, chegaram ao coração do PT. Pela inabilidade política de seus líderes, como o ministro Aloizio Mercadante, as relações com o Congresso se azedaram ainda mais. A soma de tudo isso – ruas, Congresso, força-tarefa da Lava Jato – mergulhou o PT naquela que é provavelmente a maior crise de sua história.

Uma pesquisa a que o partido teve acesso mostra que a avaliação do PT é pior até que a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff. O partido recebe menos de 10% de “ótimo” e “bom” – Dilma pontuou 13% em pesquisa do Instituto Datafolha. Outros pontos comuns do diagnóstico são: a) faltam quadros expressivos para o debate político; b) a representatividade do PT está subdimensionada no governo Dilma e no Congresso; c) os movimentos sociais se distanciaram da sigla; e d) a classe média dos grandes centros urbanos encabeça todos os movimentos anti-PT.

Um efeito da derrota nas ruas é aguçar a disputa interna no partido. Dilma está num momento péssimo, mas o grupo que a apoia, a corrente Mensagem ao Partido, fortaleceu-se momentaneamente. O grupo pede a saída de João Vaccari Neto, o tesoureiro do partido, que entrou na lista dos denunciados da Operação Lava Jato. Lula, que é de outra corrente, defende Vaccari. Na segunda-feira passada, um dia após a onda de protestos, Lula conversou com senadores petistas e depois jantou com a presidente Dilma no Palácio da Alvorada. Aos senadores, o ex-presidente disse que a crise política é maior que a econômica, e que crise política é mais fácil de resolver no curto prazo. “Ele pediu uma presença maior na rua, para melhorar a comunicação do governo”, diz o senador Humberto Costa (PT-PE).

>> O degradante espetáculo de Cid Gomes, o ministro que não foi

Outra crise da semana passada expôs a divisão interna do partido: o vazamento de um documento reservado elaborado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), atribuído ao ministro da Pasta, Thomas Traumann. O documento admite haver “caos político”, aconselha o governo a prestar contas à sociedade por meio da imprensa e sugere dedicar mais verba a sites e blogs governistas na internet. O texto foi publicado pelo site do jornal O Estado de S. Paulo. Na Secom, atribuiu-se o vazamento – no mesmo dia em que Traumann seguia para os Estados Unidos para acompanhar o tratamento médico de um parente – ao ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini. Berzoini negou, através da assessoria do partido.

>> A investigação da Lava Jato chega ao coração do PT

>> Eliseu Padilha: “O que nos interessa são as ruas”

A cúpula do PT já admite ser impossível uma recuperação da imagem da sigla no curto prazo. Acha que as eleições municipais do ano que vem deverão ser as mais difíceis da história petista. A avaliação é que o PT precisa sobreviver a 2016 para, em 2018, se rearticular em torno de Lula para a eleição presidencial. O partido precisará de novos líderes e um novo discurso. O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), fez papel ridículo ao dizer que a CIA, a agência americana de inteligência, esteve por trás das manifestações do dia 15. Com líderes assim, vai ser difícil o PT sair da crise.

No ESTADÃO colhemos o texto:

São Paulo –  Documento reservado do Palácio do Planalto, publicado pelo portal estadão.com.br com exclusividade às 17h11 desta terça-feira, admite que o governo tem adotado uma comunicação “errática” desde a reeleição da presidente Dilma Rousseff, afirma que seus apoiadores estão levando uma “goleada” da oposição nas redes sociais e aponta como saída para reverter o quadro pós-manifestações de 15 de março o investimento maciço em publicidade oficial em São Paulo, cidade administrada pelo petista Fernando Haddad onde se concentra, atualmente, a maior rejeição ao PT.

Elaborado pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, comandada por Thomas Traumann, o documento, que não tem assinatura, circulou nesta terça-feira, 17, entre ministros, dirigentes do PT e assessores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto cita, em tom de alerta, pesquisa telefônica recente feita pelo Ibope a pedido do Planalto na qual 32% dos entrevistados disseram ter mudado de opinião negativamente sobre o governo nos últimos seis meses – ou seja, da campanha de outubro até agora. Conclui que o País passa por um “caos político” e admite: “Não será fácil virar o jogo”.

Documento na íntegra

Onde estamos

A comunicação é o mordomo das crises. Em qualquer caos político, há sempre um que aponte “a culpa é da comunicação”. Desta vez, não há dúvidas de que a comunicação foi errada e errática. Mas a crise é maior do que isso.

As forças políticas que elegeram Lula e Dilma são minoritárias nas redes socais desde os movimentos de 2013. Isso por uma singularidade clara do mundo digital: o Facebook, o twitter, o G+, etc., são espaços privilegiados para o ataque, a zombaria e a propagação de palavras de ordem. É um espaço onde o convencimento, o diálogo, a troca de ideias até existe, mas é lenta e geralmente se prega para convertidos.

Parece contraditório, mas o panelaço do dia 8 e as marchas deste dia 15 mostram que as redes sociais não estão perdidas para Dilma e Lula. No dia 8, até uma hora depois do pronunciamento, houve mais tuítes a favor a Presidenta do que contra. No domingo, houve uma disputa equilibrada até a PM falar em um milhão na Paulista, desmobilizando todo o regimento pró­governo. Óbvio que esse movimento virtual não altera as derrotas políticas do panelaço e das pessoas nas ruas, mas mostram que nem tudo está perdido.

Ironicamente, hoje são os eleitores de Dilma e Lula que estão acomodados brigando com o celular na mão, enquanto a oposição bate panela, distribui mensagens pelo Whatsapp e veste camisa verde­amarela. Dá para recuperar as redes, mas é preciso, antes, recuperar as ruas.

Como chegamos até aqui

A campanha presidencial de 2010 foi a primeira na qual a comunicação digital teve um papel relevante no resultado das urnas. O uso de vídeos montados sobre aborto e fechamento de igrejas evangélicas marcou um novo patamar da baixaria na disputa política brasileira. A campanha digital Dilma/2010 foi mais de resistência e de combate a boatos do que de convencimento. Os blogues não geraram conteúdo, mas foram fundamentais na propagação de reportagens da grande imprensa como caso Paulo Preto e da bolinha de papel.

O início do primeiro governo Dilma, no entanto, foi de rompimento com a militância digital. A defesa ferrenha dos direitos autorais pelo Ministério da Cultura e o fim do diálogo com os blogues pela Secom geraram um isolamento do governo federal com as redes que só foi plenamente reestabelecido durante a campanha eleitoral de 2014.

Em 2015, o erro de 2011 foi repetido.

Pesquisa feita pela FGV no dia do segundo turno de 2014, com base em amostra de mais de 600 mil tuítes, mostrava as redes sociais brasileiras divididas, com leve vantagem para o campo pró­Dilma.

A partir de novembro, as redes sociais pró­Dilma foram murchando até serem quase extintas. Principal vetor de propagação do projeto dilmista nas redes, o site Muda Mais acabou. Os robôs que atuaram na campanha foram desligados e a movimentação dos candidatos do PT foi encerrada.

Mas o movimento mais impressionante ocorreu entre os militantes, os apoiadores da candidatura de Dilma. Pesquisa da FGV mostrou que, a partir do final de novembro _ com o anúncio de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e as primeiras medidas do ajuste_ a militância orgânica dilmista começou a parar de defender o governo. Houve um soluço pró­Dilma nas redes no dia da posse, mas a pesquisa da FGV é afirmativa: houve um descolamento entre o governo e a sua militância.

A ausência de agendas públicas da presidenta da eleição ao carnaval, a mudança nas regras do seguro desemprego e pensão por morte, o desastrado anúncio de cortes do FIES, o aumento nos preços da gasolina e energia elétrica e o massacre nas TVs com as denúncias de corrupção na Petrobras geraram entre os dilmistas um sentimento de “abandono” e “traição”. Constata­se hoje nas redes uma mágoa dos eleitores de Dilma, registradas em frases como “votamos nela e a política econômica é do Aécio”, “não tinha como ela não saber dessa corrupção toda na Petrobras”, “ela disse que a vaca não ia tossir, mas tossiu”, “ela mexeu nos direitos dos trabalhadores”, “na hora de pedir voto ela aparecia e agora sumiu”, “ela disse que ia segurar a conta de luz e soltou” etc…

As páginas dos deputados e senadores do PT pararam de defender o governo. Hoje, por exemplo, a página do deputado Jean Wyllys, do PSol, tem um peso na defesa do governo maior que quase toda a bancada federal. É sintomático que a principal página do Facebook pró­Dilma não oficial, a Dilma Bolada, começou a perder fãs em fevereiro, o que pode significar uma situação de quebra de imagem.

Apenas as páginas oficiais Portal Brasil/Blog do Planalto/ Facebook da Dilma e o site do PT seguem defendendo o governo, mas suas mensagens não conseguem ser reverberadas fora da sua corrente de seguidores. Ou seja, o governo e o PT passaram a só falar para si mesmo.

A tática do PSDB foi exatamente a oposta. Cerca de 50 robôs usados na campanha de Aécio continuaram a operar mesmo depois da derrota de outubro. Isso significou um fluxo contínuo de material anti­Dilma, alimentando os aecistas e insistindo na tese do maior escândalo de corrupção da história, do envolvimento pessoal de Dilma e Lula com a corrupção na Petrobras e na tese do estelionato eleitoral. Tudo com suporte avassalador da mídia tradicional.

Simultaneamente, a partir do final de janeiro, as páginas mais radicais contra o governo passaram a trabalhar com invejável profissionalismo, com uso de robôs e redes de Whatsapp.

Desde janeiro, a página no Facebook do grupo Revoltados Online teve o engajamento de 16 milhões de pessoas nos últimos três meses. O Vem Pra Rua chegou a 4 milhões. Para comparar: no mesmo período as páginas do Facebook Dilma Rousseff e PT foram compartilhadas por 3 milhões de pessoas.

Em estimativas iniciais, a manutenção dos robôs do PSDB, a geração de conteúdo nos sites pró­impeachment e o pagamento pelo envio de Whatsapp significaram um gasto de quase R$ 10 milhões entre novembro e março.

Deu resultado. Em fevereiro as mensagens/textos/vídeos oposicionistas conseguiram a capacidade de atingir 80 milhões de brasileiros. As páginas do Planalto mais as do PT, 22 milhões. Ou seja, se fosse uma partida de futebol estamos entrando em campo perdendo de 8 a 2.

De um lado, Dilma e Lula são acusados pela corrupção na Petrobras e por todos os males que afetam o País. Do outro, a militância se sente acuada pelas acusações e desmotivada por não compreender o ajuste na economia. Não é uma goleada. É uma derrota por WO.

Como virar o jogo?

Não será fácil virar o jogo. Pesquisa telefônica SECOM/ Ibope mostra que 32% dos entrevistados mudaram de opinião sobre o governo negativamente nos últimos seis meses. Esse movimento é mais perceptível entre os moradores do interior (35%), pessoas com renda familiar entre 2 a 5 SM (36%) e que avaliam o governo como regular (37%). As principais razões para essa mudança são: os escândalos de corrupção (31%), aumento da inflação (28%) e o fato de o governo “não cumprir o que promete” (16%).

As responsabilidades da comunicação oficial do governo federal e as do PT/Instituto Lula/bancada/blogueiros são distintas. As ações das páginas do governo e das forças políticas que apoiam Dilma precisam ser muito melhor coordenadas e com missões claras. É natural que o governo (este ou qualquer outro) tenha uma comunicação mais conservadora, centrada na divulgação de conteúdos e dados oficiais. A guerrilha política precisa ter munição vinda de dentro do governo, mas ser disparada por soldados fora dele.

Essa coordenação por si só não vai mudar o humor do eleitor dilmista. Mas como mostraram as ações conjuntas no dia 8 e no dia 15 são um início.

O pronunciamento de 8 de março foi extremamente criticado por ser longo e sem substância. As principais críticas ao pronunciamento foram: “fala muito e não diz nada”, “discurso longo e sem propósito”, “não transmite confiança nem entusiasmo”, “não assume responsabilidade por nada”. O pedido de paciência foi o que mais irritou aqueles que um dia já apoiaram Dilma nas redes. Houve um grande número de posts com a mensagem ‘já perdi a paciência!’. A fala dos ministros Rossetto e Cardozo no domingo à noite foram recebidas com panelaço antes que eles falassem a primeira sílaba.

Isso não significa que o público não aguarde respostas curtas e objetivas para perguntas de três grandes temas: corrupção na Petrobras, inflação/crise econômica; e o “estelionato eleitoral”. São perguntas como: “a gasolina subiu porque Dilma, Lula e o PT roubaram na Petrobras?” “Dilma falou uma coisa na campanha e está fazendo outra?”; “a vaca tossiu, ela está mexendo nos direitos dos trabalhadores?”, “ela mentiu ao dizer que o Aécio é que ia aumentar a gasolina e a luz?”, “por que ela sempre culpa a crise internacional e não assume que errou?”, “por que ela deixou a inflação explodir?”, “o que ela está fazendo para acabar com a corrupção na Petrobras?”, “a campanha dela recebeu dinheiro do esquema lava jato?”, “como ela pode falar em Pátria Educadora e cortar o FIES?”, etc… Sem responder claramente a essas perguntas não há como a militância se sentir respeitada de novo e, de novo, defender o governo. É preciso aceitar a mágoa desses eleitores, reconquistá­los.

Óbvio que essa reconquista não é apenas um trabalho de comunicação. Não adianta falar que a inflação está sob controle quando o eleitor vê o preço da gasolina subir 20% de novembro para cá ou a sua conta de luz saltar em 33%. O dado oficial IPCA conta menos do que ele sente no bolso. Assim, como um senador tucano na lista da Lava Jato não altera o fato de que o grosso do escândalo ocorreu na gestão do PT.

A entrevista presidencial desde dia 16 foi um excelente início. Ao falar com firmeza sobre o seu compromisso com a democracia, explicar de forma fácil a necessidade do ajuste fiscal e assumir falhas como a da condução do Fies, a Presidente deu um rumo novo na comunicação do governo. Não pode parar.

É preciso que a PR fale mais, explique, se exponha mais, seja nos quebra­queixos pós­evento, seja respondendo ouvintes da Voz do Brasil (20 milhões de ouvintes), seja com a mídia tradicional (TV aberta, de preferência), seja com a volta das entrevistas por Facebook. Não importa quantos panelaços eles façam.

É preciso consolidar o núcleo de comunicação estatal, juntando numa mesma coordenação a Voz do Brasil, as páginas de sites, twitter e Facebook de todos os ministérios, o Facebook da Dilma e a Agência Brasil.

A publicidade oficial em 2015 deve ser focada em São Paulo, reforçando as parcerias com a Prefeitura. Não há como recuperar a imagem do governo Dilma em São Paulo sem ajudar a levantar a popularidade do Haddad. Há uma relação direta entre um e outro.

Dizem que passado o terremoto de Lisboa, o rei Dom José perguntou ao marquês de Alorna o que podia ser feito. Ele respondeu: “Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”.

Sepultar os mortos significa que não adianta ficar reclamando e discutindo como teria sido se o terremoto não tivesse ocorrido. Cuidar dos vivos, é que depois de enterrar o passado, temos que cuidar do que sobrou, dar foco ao presente. Fechar os portos, evitar o pânico entre os nossos, impedir o salve­-se quem puder, a fuga em massa. Significa que não podemos deixar que ocorra um novo tremor enquanto estamos cuidando dos vivos e salvando o que restou.