O carnaval de Pernambuco continua violento mas o govêrno de Eduardo Campos afirma que não

O carnaval não anda tão tranquilo quanto parece. A mídia que prioriza as belas imagens tipo exportação e que dão retorno financeiro imediato, anda descuidada da miséria que é a violência que banalizou os impactos que antes chocavam qualquer população.

Em alguns casos de crime, o cordão que se forma em torno de um corpo trucidado e ainda quente lembra a alegria de um pastoril ou do homem da cobra nas feiras e locais de muito ajuntamento popular.

No Recife tem morrido muita gente desde a semana pré-carnavalesca. Tiroteio no centro da cidade rende muito mal duas ou três linhas em qualquer jornal, como que aconteceu no último sábado a noite após o desfile do Galo da Madrugada, na Praça Sérgio Loreto, que deixou um morto e vários feridos…

Ontem no final da noite, em Lagoa de Itanhenga, munícipio próximo da capital pernambucana, um desconhecido ao tentar executar um desafeto acabou por matar uma mulher e ferir outras duas. Como sempre acontece, o executor vai embora calmamente pois não há policiamento eficaz. A família das três mulheres terá hoje um belo Dia Internacional das Mulheres para comemorar.

Se a população não tomar ares de polícia investigativa e informar pelos teledenúncias espalhados pelo país, muitos crimes ficarão impunes classificados policialmente como crime de autoria desconhecida; fecha-se a pasta. Caso encerrado. 

Sempre foi assim, e assim continuará. Lembro muito vivamente do caso de um assassinato nos idos de julho de 1989, no Recife, quando um jovem de 25 anos foi assassinado barbaramente no jardim de sua residencia por um assaltante de automóvel.

Esse escriba foi avisado instantes depois e chegou ao local após alguns minutos. De lá foi até o distrito policial a dois quilômetros dali prestou a queixa e foi avisado que os policiais não poderiam ir até o local do crime pois a única viatura que dispunham estava sem combustivel e sem pneu dianteiro. A gasolina e o pneu foram roubados no estacionamento lateral da delegacia. Então ofereci o meu carro para levá-los e ficar como motorista deles enquanto necessário. Feita a diligência incial, retornamos a delegacia. E só.

Posteriormente fiquei indo até lá para saber do andamento do caso. Sempre a mesma conversa: ” não há pistas ainda”. E nunca houve. Meses depois ainda tentando obter resultado para aquele crime, encontrei um policial novo na delegacia, que eu conhecia desde a infância.

Me pediu para dar um tempo enquanto ele verificaria o que realmente estava ocorrendo em relação ao inquérito. Ao voltar chamou-me para fora da delegacia e me disse textualmente: “caia fora dessa história senão voce poderá ser o próximo”. Curioso e apavorado ainda perguntei a razão daquela advertência: ” o bandido que matou o rapaz é filho de um policial extrema e reconhecidamente violento de alcunha “pistola de pau”, e já manifestou interesse em saber quem você é. 

Na verdade nunca houve continuidade do inquérito. O crime prescreveu. O rapaz assassinado era meu cunhado. 

FC.

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