Urgência-urgentíssima (como está na Constituição) para a CPI sobre Ricardo Teixeira e a CBF. Dizem que a CPI não pode existir, o deputado que apresentou o pedido, é acusado. Quem tem medo de Virginia Woolf, ou já foi cooptado?

Helio Fernandes – Há 10 anos, em 2001, houve rumorosa CPI para investigar o mesmo Teixeira e a mesma CBF. Sua condenação foi total. A subserviência e submissão aos membros da CPI, escandalosa, lamentável, envergonhou e enojou a CPI inteira. Levou meses, a comprovação das irregularidades, comprovadíssima, apesar dos esforços da chamada “bancada da bola”.

Ricardo Teixeira foi indiciado por 8 crimes financeiros. Começando pela lavagem de dinheiro e terminando com a remessa ilegal de dólares para o exterior, passando pelo enriquecimento ilícito. Tudo que continua até hoje, e justifica fartamente essa outra CPI.

Ricardo Teixeira ainda não foi CONDENADO (mas também NÃO ABSOLVIDO) em nenhum desses processos. Utilizando advogados caríssimos (pagos pela CBF e não por ele), vai jogando tudo para depois, para amanhã, para instâncias mais “compreensíveis”. Ou como diz seu mestre Daniel Dantas: “Lá em cima eu resolvo”.

Interrupção para pergunta inócua e inútil ao Conselho Nacional de Justiça: por que o órgão criado para investigar, não examina e investiga o procedimento desses magistrados que nesses quase 10 anos “funcionaram” nos processos de Teixeira e da CBF? As irregularidades e as omissões dos que deveriam investigar e julgar são inacreditáveis. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) permanecerá silencioso?

Agora as restrições ao pedido de CPI, uma espécie de revolta da comunidade, pela “inocentação” total e completa de Ricardo Teixeira e da CBF. Membros “ressuscitados” da bancada da bola recusam a CPI, dizendo: “O autor do pedido na nova CPI, ex-governador Anthony Garotinho, também responde a acusações”.

Ora, uma coisa nada tem a ver com a outra. E esse deputado que apresentou o pedido de CPI é apenas um. Para constituir a CPI são necessárias 171 assinaturas, 257 parlamentares para indiciá-lo. Podem até riscar e não aceitar o nome do ex-governador, ficarão ainda necessários e indispensáveis 257 parlamentares.

Assim que foi apresentado o pedido da CPI, inacreditável, inaceitável, parece incompreensível, mas é rigorosamente verdadeiro: Ricardo Teixeira foi a Brsília, ficou 72 horas lá. E podem se estarrecer à vontade: praticamente deu expediente em gabinetes de deputados amigos, começou o trabalho de surripiar assinaturas da CPI.

E fora da Câmara, jantou com autoridades (?) as mais diversas. E o presidente da CBF insistiu num ponto: “Não tenho qualquer restrição pessoal a essa CPI, respondi a outra e saí completamente inocentado”. E com uma pausa ligeira, concluiu: “O que eu receio é que, no caso da CBF ser responsabilizada, a Copa do Mundo de 2014 não seja realizada no Brasil, a Fifa não admite restrições aos seus projetos. Nem admite interferência de órgãos não-esportivos, como acontecerá com essa CPI, se for constituída”.

Nenhum ministro (alguns eram mesmo ministros) protestou, declarou que a CPI era privativa da Câmara ou do Senado, ou das duas casas, se a comissão for mista. A CPI continua a ter mais assinaturas, a Câmara não pode receber intimidação ou restrição. E a Copa do Mundo de 2014 será no Brasil,  haja o que houver.

***

PS – Agora mesmo, Ricardo Teixeira está respondendo na Justiça por compra fraudulenta de terrenos na Barra. Para construir a sede da CBF, adquiriu um enorme terreno, que não pertence ao vendedor, está ocupado por seus legítimos proprietários.

PS2 – Estes estão regularizando seus títulos (na Barra quase tudo é falsificado, as terras eram de Deus, dezenas de homens se mataram se dizendo proprietários), mas Ricardo Teixeira, COMPRADOR, tinha a obrigação de avaliar e investigar quem eram os vendedores.

PS3 – Nessa ida de Ricardo Teixeira a Brasília, pelo menos um fato favorável e positivo: não conseguiu ir ao Planalto. Lula recebia Ricardo Teixeira em toda e qualquer oportunidade, tirava fotos com ele, na maior intimidade. Quer dizer, foi ao Planalto e só.

PS4 – Dona Dilma ficou distante, deixou Ricardo Teixeira bem longe. E fingiu não entender insinuações a respeito de um encontro com o c-o-r-r-u-p-t-í-s-s-i-m-o presidente do CBF. Ainda bem.

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