As peças que a mente nos prega: milagre ou ciência?

(Ciência e Profissão)

– Gabriel Baktichou “teve a glória de curar no fim do Século VIII a concubina do califa Al-Rashid”, a qual tinha sido vitimada de uma estranha paralisia.

Reunindo os membros da corte “à sombra fresca do palácio”, fez entrar o doente e, em presença de todos fez menção de levantar afoitamente a sua saia. Assustada e movida pelo pudor que dera origem à paralisia, a favorita baixou os braços até então inertes e ficou curada.

Com tal sucesso o “douto médico foi coberto de de dracmas e admitido entre os íntimos da corte”.

Conta-se que até os quarenta anos, Abu Bakr Muhamad Ibn Zakarya al-Razi (Rhazes) dedicazrfa-se à lira e, eventualmente, à filosofia. Só a partir daquela idade teria se interessado pela ciência e pela prática da medicina. E, como viveu longa vida, fez-se reputado clínico, alquinista e físico: “o mais ilustre e original dos médicos do Século IX”.

Também se conta que em se encontrando em Bukhra, foi convidado a tratar de um califa acometido de insidiosa artrite.

Prossegue a crônica, uma vez realizado o exame de praxe, admitiu Rhazes sua intervenção, mediante algumas condições: em primeiro lugar,  atender o cliente em local a ser determinado pelo facultativop e na ausência de qualquer pessoa; em segundo lugar, ter a sua disposição dois cavalos ajaezados.

E por tal lhe ter sido concedido, mandou transportar o enfermo até umas termas situadas fora da cidade (segundo alguns situadas no próprio palácio), onde o submeteu de início a um banho quente. Eis senão que à saída de seus escravos e se encontrando sozinho com o paciente, surpreendeu-o Rhazes, ameaçando-o de morte comuma faca. Diante de semelhante estímulo o paralítico senhor levantou-se e correu… Enquanto isso, Rhazes e seu criado esperaram notícias: rápidos, acorreram aos cavalos, que para outro fim não sido exigidos.

Como lhe recomendava a prudência, a narrativa indica ter decidido Rhazes se esconder por certo tempo. Em seguida, devolveu os cavalos acompanhando uma carta, dirigida ao poderoso califa. Na dita carta, o “mais original dos médicos do Século IX”, confessava ter posto em práticaz um método de sua invenção, denominado psychoterapeusis.

“Recuperado e feliz”, o príncipe ignorou a indgnação e o medo sob cujo impacto reagira e oferece a Rhazes a recompensa de “preciosos presentes”.

Extraído de “Desmistificação e re-mistificação das doenças mentais”, de Paulo da Silveira Rosas

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