A inocência por princípio

(Revista Algomais – Por Gilberto Marques)

 – O FMI tremeu na cocuruta, a base é mais embaixo. A França saiu do brilho de Paris – cidade luz, para a morada sem brilho do cárcere. Jabor, o cronista da TV, esqueceu a gravidade do mister, a importância, a força da opinião e juntou-se à turba ensandecida dos moralistas – puro frenesi erótico. No opróbrio Arnaldo desancou o velhinho do Fundo, sem dó nem propriedade.

A tara descrita, não raro, assanha o injusto, alimenta a desdita, fermenta o baldão. Calúnia, injúria, difamação, compõem o elenco com facilidade e muita pressa. Todo mundo vira juiz. No caso, a pimenta tinha raiz marxista no composto da pieguice. Capital e trabalho, banco e tamborete, patrão e empregado pobre e rico, Cozinha mexicana no restaurante francês. A queda da Bastilha, o ocaso do rei.

Erotômanos de todos os matizes açulam-se no relatório da sentença. Os mais eufóricos são os enrustidos. A mantilha esconde os olhos, mas não esconde o arfar inclemente. O Bombix não para de compor mais seda. O bodegueiro ri à toa. O véu da hipocrisia adorna o discurso. Pisoteiam-se os avanços da humanidade. O indubio pro reo, de priscas eras, é chacota. A presunção de inocência, bem mais jovem, então, é puro riso de escárnio na maledicência.

Jabor, um tenor importante no Brasil, comanda o coro mundial de sopranos. As cinzas de Pavarotti rebolam-se rarefeitas, sem voz, na orquestração. A arrumadeira cinco estrelas desarruma o judiciário ianque, esgana a promotoria do ministério público americano e reacende o risco da pena capital na república dos guerrilheiros.

O olhar perequeté suprimiu os ditames da ciência. As algemas preveniram a impunidade suposta. Injustiça é leseira de romântico, no pensar de maioria extensa. Prender é a ordem e vira regra. Só penso nos que não têm fiança nem tampouco finanças a lhes afiançar. Sem defensor, sem defesa, sem ouvidos aptos, fenecem no quadrado das celas.

Strauss-Kahn tinha o que perder e perdeu no primeiro tempo. A versão da ninfa cheia de falhas claríssimas, correu solta. Bastava espiar Dominique pra desconfiar da trama. Como imaginar o ancião, lento, grisalho, solitário, cuja arma era apenas o olhar pidão suprimindo a resistência da fêmea vigorosa e saudável. A presença do sêmem nas vestes contava do improvável desafeto. Ejaculação precoce, ereção prévia, ali, nem com muito viagra. Mais próprio, talvez, a incontinência urinária da próstata madura. Strauss valsou na chapa quente da incontinência do Estado e tinha muito o que perder. A moça não. O que consola, porém, é saber que além da causa ele pode ganhar outro rumo. O efeito colateral o ímpeto traduzido no 1º verso do hino francês:
Allons enfants de la patrie.
Srs. Juízes, srs. acusadores, carcereiros no mundo inteiro avant: perdão foi feito pra gente pedir.

*Gilberto Marques é advogado

Um comentário em “A inocência por princípio

  1. Amigo, quer dizer que foi tudo uma farsa essa história da camareira guineana que trabalha no Sofitel em N.York? Cara, logo vi que o velhinho não ia dar conta daquela mulher…kkkkkk
    É, o Strauss dançou e não foi valsa!

    BEIJOSSSSSSS

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