Stalinista de plantão da Folha defende saques na Inglaterra

– Desde pequeno entendi que, para ter acesso aos bens deste mundo, é preciso trabalhar. Pelo menos para quem nasceu pobre, como é meu caso. Para quem nasceu em berço de ouro é diferente. As benesses caem dos céus, sem que sequer seja preciso erguer as mãos para pedi-los. O mesmo não pensam os imigrantes contemporâneos, que fogem da miséria de seus países e querem de imediato tudo aquilo que um europeu tem de lutar para adquirir. Houve época em que os famintos do Terceiro Mundo chegavam à Europa perguntando por trabalho. Hoje, a pergunta é outra: quais são meus direitos?
As esquerdas estão vibrando diante da crise financeira de alguns países do Ocidente e dos conflitos em Londres. É como se fosse um terceiro turno após a derrocada do comunismo. Diz Vladimir Safatle, o stalinista de plantão da Folha de São Paulo: “Aqueles que se vêem como excluídos da sociedade não têm razão alguma para obedecer às suas normas”.Como excluídos da sociedade? Me escreve um leitor que vive em Londres: “Eh de uma inocencia sem fim achar que isso tem algo a ver com o desemprego. Esses “jovens” possuem educacao gratuita, assistencia governamental para moradia, sistema de saude gratuito e bom, dezenas de programas sociais e outras facilidades que beiram o absurdo. Se quiserem estudar em uma universidade, o governo subsidia e eles pagam em suaves prestacoes quando se formarem e se estiverem ganhando uma quantia minima predeterminada. O problema eh que eles tem demais, nunca tiveram que lutar por nada na vida e eh essa barbarie que ira derrubar os paises europeus”.Prossegue o stalinista de plantão: “Talvez seja o caso de simplesmente dizer que a pauperização e o sentimento de ter sido deixado de lado pelo Estado gera, de maneira forte, a desagregação do laço social. Quando não há nada que sirva de contrapeso a tal processo, é fácil começar a ver carros queimados, lojas quebradas e outros atos de vandalismo”.

Ou seja, se o Estado não me sustenta, tenho plenos direitos a sair queimando carros e depredando lojas. Se não consigo com meu trabalho – ou ócio – ter acesso a computadores, televisores, iPads e iPhones, é simples: basta saquear.

Em fevereiro passado, David Cameron, o primeiro-ministro britânico, em pronunciamento na Conferência de Munique, denunciava o fracasso da política de multiculturalismo em seu país, fazendo um apelo à melhor integração dos jovens muçulmanos para lutar contra o extremismo. Considerava que a adoção pelo Reino Unido de uma política de excessiva tolerância em relação aos que rejeitam os valores ocidentais fracassou. Defendeu “um liberalismo mais ativo, mais musculoso” para defender a igualdade de direitos, o respeito da lei, a liberdade de expressão, a democracia e o reforço da identidade nacional da Grã-Bretanha. “Se nós queremos vencer esta ameaça, creio que chegou o tempo de virar a página de políticas do passado que fracassaram”.

Cameron foi adiante. “Com a doutrina do multiculturalismo de Estado, encorajamos diferentes culturas a viverem separadas umas das outras e do resto da população”. Fez uma distinção entre o Islã enquanto religião e ideologia política dos muçulmanos. “Não é a mesma coisa”. Denunciou ainda a ambigüidade em relação aos valores ocidentais de certos grupos não-violentos que se apresentam como um elo com a comunidade muçulmana, estimando que eles não deveriam mais receber subsídios públicos nem serem autorizados nos campi universitários.

Em suma, o premier disse que o Estado não deve mais financiar seus contestadores. Escândalo nas hostes islâmicas. “Cameron está alimentando a histeria e paranóia em relação aos muçulmanos”, disse Mohammed Shafiq, dirigente da fundação Ramadan. “Os muçulmanos britânicos execram o terrorismo e o extremismo, e trabalhamos duro para erradicar este mal de nosso país, mas sugerir que não partilhamos os valores de tolerância, de respeito e de liberdade é profundamente ofensivo e incorreto”.

Shafiq parece esquecer – ou finge ignorar – que na Inglaterra já existe uma organização chamada Parlamento Muçulmano, cujo primeiro objetivo é recordar aos imigrantes que não estão obrigados a respeitar as leis inglesas: “Para um muçulmano respeitar as leis em vigor no país que o acolhe é algo facultativo. Um muçulmano tem que obedecer a Sharia e ponto”, diz sua Carta Constituinte.

Safatle continua: “Pelo menos Cameron mostrou o que o pensamento conservador pode nos oferecer hoje: ladainhas morais em vez de ações enérgicas contra os verdadeiros arruaceiros, ou seja, esses que operam no sistema financeiro internacional. Enquanto isso não ocorrer, jovens roubando lojas de iPads e tênis continuarão dizendo: não aceitaremos estar fora do universo de consumo e sucesso individual que vocês mesmos inventaram. Nós entraremos nele, nem que seja saqueando”.

O stalinista de plantão da Folha está afirmando que os responsáveis pelo quebra-quebra no Reino Unido foram os banqueiros e não os imigrantes ressentidos, em geral africanos e árabes, que vandalizaram Londres e outras cidades. Está afirmando que se a Europa não garantir o direito dos famintos a eletrônicos e outros bens de consumo, estes têm todo o direito de queimar e saquear.

Espanta ver um jornal como a Folha, que se pretende defensora da democracia e do Estado de direito, abrigar em suas páginas tal celerado.

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