A cumplicidade da igreja com o fascismo

(Por CMI Brasil )

– A igreja apóia ativamente o crescimento do fascismo na Europa. Em Portugal, ela apóia Salazar. O cardeal Cerejeira (amigo do ditador) chega a dizer que Salazar tinha a missão divina de governar Portugal. 
Na Áustria, a igreja apóia o Austro-Fascismo de Dollfuss e Schuschnigg. O primaz Innitzer é o principal apoiante do regime. Innitzer mais tarde apoiaria a “Anschluss” nazista. 
Na Itália, a igreja assina com Mussolini uma concordata que faz do catolicismo a religião de estado. A igreja sacrifica em grande parte as suas próprias associações (inclusive o Partido Popular de Sturzo, no intuito de ajudar Mussolini consolidar sua ditadura): todas, exceto a Ação Católica, devem integrar as organizações fascistas. O Vaticano promete a Mussolini de fazer com que a AC não se deixe tentar por ações antifascistas. O Vaticano apoiaria a invasão italiana na Abissinia, sob pretexto de ser uma cruzada cristã civilizadora. 

 http://www.youtube.com/watch?v=Jr5Q5Volv88 
 http://www.youtube.com/watch?v=aB42kEqbO_s

Em 1929, Mussolini, depois de ter assinado a concordata dita “Patti Lateranensi”, é qualificado pelo papa como “o homem da providência”. Em 1932, o ditador recebe das mãos do papa, a Ordem da Espora de Ouro, que é a mais alta distinção concedida pelo Estado do Vaticano. 

Na Alemanha, em março de 1933, o Zentrum, partido católico, cujo líder é um prelado católico (padre Kaas), vota a favor de plenos poderes para Hitler (lei habilitante, que se aprovada no parlamento, daria poderes ilimitados ao Executivo). Hitler pode assim atingir a maioria de dois terços necessária para suspender os direitos garantidos pela Constituição. Com uma caridade toda cristã, o Zentrum (e o Vaticano) aceita também fechar os olhos para os discutíveis processos nazistas, como a prisão de opositores. Depois a igreja começa a negociar uma nova concordata com a Alemanha; nesse cenário, ela sacrifica o Zentrum, então o único partido significativo que os nazistas não tinham proibido. Na realidade ele tinha-o ajudado a chegar ao poder. Em 5 de julho de 1933, o Zentrum se dissolve sob solicitação do Vaticano (cujo Secretário de Estado era Pacelli, futuro Pio XII), deixando o caminho livre para o NSDAP de Hitler, então partido único. 

Hitler declara-se católico no “Mein Kampf”, o livro onde ele anuncia o seu programa político. Também afirma que está convencido ser ele um “instrumento de Deus”. A igreja católica nunca colocou no seu Índex o “Mein Kampf”(ao contrário de Rousseau, Sartre, Pascal e Voltaire), mesmo antes da ascensão de Hitler ao poder. Podemos acreditar que as idéias nefastas de Hitler não desagradavam à igreja. Hitler mostrará o seu reconhecimento tornando obrigatória uma prece a Jesus nas escolas públicas alemãs, e reintroduzindo a frase “Gott mit uns” (Deus está conosco) nos uniformes do exército alemão. Hitler também foi apoiado pela igreja protestante, a ponto dessa igreja criar o movimento nazi-protestante chamado “Deutschen Christen” liderado pelo pastor Ludwig Müller. Müller e outros religiosos (católicos e protestantes) se tornariam membros do NSDAP. O bispo Alois Hudal (membro do NSDAP), publica um livro que concilia vários aspectos do catolicismo com o nazismo. Ele defende visão arianizada do cristianismo. Hudal nunca foi condenado pelo Vaticano. 

Na Espanha, os militares tentam um golpe de estado militar, que aborta mas degenera em guerra civil. A igreja os apóia, padres e bispos benzem os canhões de Franco, celebram com muita pompa Te Deum pelas suas vitórias contra o governo republicano legítimo (que havia acabado com os privilégios do clero). A guerra faz mais de um milhão de mortos, e Franco fuzila todos os prisioneiros. Franco se mostrará reconhecido por seus piedosos aliados, nomeando diversos membros da Opus Dei para o seu governo. A influência da Opus Dei crescerá ao longo da ditadura franquista, ao ponto de se chegar a mais de metade dos ministros serem membros dessa venerável instituição católica. Franco proíbe todas as religiões, com exceção do catolicismo. A minoria protestante sofreria anos de perseguição por parte do piedoso regime franquista. 

Na Eslováquia (fantoche nazista), o piedoso padre Jozef Tiso assume o poder e promove uma violenta perseguição de opositores, ciganos e judeus (boa parte das vítimas foi deportada pra Auschwitz). O Vaticano jamais excomungaria este sacerdote exemplar (ao contrário de padres que defendem camisinha, aborto etc.). 

Na França (Vichy), a igreja romana declara que “Petain é a França”: ela prefere de fato o Trabalho-Família-Pátria do Vichy ào Liberté-Égalité-Fraternité da República, que sempre a horrorizaram. Pétain suspende a laicidade do Estado instituida em 1905 e reestabelece os privilégios clericais. Em troca, o clero seria conivente com os crimes de Pétain. 

Na Bélgica, a igreja católica apóia o movimento fascista “Rexisme” (nome derivado de Christus Rex) chefiado pelo devoto Leon Degrelle. Degrelle acabaria influenciado mais tarde pelas idéias de Hitler. Durante a 2ª guerra, Degrelle vira oficial nazista e chefia as SS Wallonie, com direito a capelania militar. O padre Cyriel Verschaeve se torna capelão das SS Langemarck (formada por belgas flamengos). 

Na Croácia “Ustasha”(fantoche nazi), a igreja apóia plenamente (e ativamente) os crimes de Ante Pavelic (líder Ustasha). Cerca de 1000000 de pessoas (sérvios, ciganos, judeus, croatas antifascistas etc.) seriam brutalmente assassinadas. Os terríveis crimes Ustasha chocariam até mesmo os nazistas, aliados de Pavelic. 
Vários padres cooperam com o genocídio promovido pelos Ustashas. Os piedosos padres também promovem a conversão forçada dos sérvios (cristãos ortodoxos) ao catolicismo, sob ameaça de tortura e morte. Várias igrejas ortodoxas são destruídas e o clero ortodoxo sofre terríveis atrocidades por parte dos piedosos Ustashas. O regime de Pavelic constrói o terrível campo de extermínio de Jasenovac, cujo comandante era o sádico padre franciscano Filipovic (O “Irmão Satan”). Os carrascos de Jasenovac executam as vítimas com facas, machados, marretas e outros métodos medievais. O franciscano Brzica, um guarda de Jasenovac, degola mais de 1000 prisioneiros. A crueldade Ustasha (e a cumplicidade dos padres) jamais seria condenada pelo primaz Stepinac (aliado de Pavelic e beatificado pelo Vaticano em 1998) e nem mesmo pelo Vaticano de Pio XII. Pavelic e outros piedosos Ustasha conseguiriam fugir da Europa pós-guerra com a santa ajuda do Vaticano. Até hoje, o Vaticano nunca pediu perdão por sua cumplicidade com Pavelic. 

Na Eslovênia, o bispo Gregory Rozman chefia uma terrível milícia pró-nazi. Rozman acabaria fugindo de seu país, procurado como criminoso de guerra (a exemplo do piedoso bispo Ustasha Ivan Saric). 

Durante a 2ª guerra mundial, o Vaticano estava ciente das atrocidades nazistas. Saber-se-á, após a guerra, que o papa Pio XII diversas vezes esteve para fazer um pronunciamento público condenando***, mas que finalmente se absteve de condenar por causa de sua comunistofobia e achando que uma vitória russa seria pior. O Vaticano ajudaria alguns perseguidos pelo nazismo quando viu que a derrota alemã era iminente. Depois da guerra, o Vaticano ajudaria Mengele, Eichman e outros nazistas a fugirem da Europa através das “Ratlines”. 

***(Seria bom lembrar que o Vaticano, que foi conivente com o nazifascismo, condenaria diversas vezes o comunismo e outros sistemas políticos “pecaminosos”, a ponto de pedir pros católicos em países comunistas e laicos promoverem rebeliões, desobediência civil, objeção de consciência e outras formas de resistência. O Vaticano apoiou os “Cristeros” contra o governo mexicano, o sindicato Solidariedade de Lech Walesa contra os comunistas poloneses, a revolta anticomunista na Hungria em 1956 etc.)

  URL:: http://www.youtube.com/watch?v=Jr5Q5Volv88 

fotos mostrando a cumplicidade da igreja com os nazis

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