As quantas o governo quer interceder na vida privada do cidadão brasileiro: não bastasse no bolso, também pretende por a mão dentro das cuecas e das calcinhas

(…) – O artigo abaixo o qual discorre sobre matéria em tramitação na Câmara Federal, já aprovada em comissão, e que agora depende do executivo nacional a última palavra, foi escrito por Janer Cristaldo.   

Em maio passado, comentei projeto de lei que determina que roupas íntimas – cuecas ou calcinhas – terão de ser vendidas no Brasil com etiquetas que alertarão contra os cânceres de mama, colo de útero e próstata. O projeto de lei já foi aprovado ontem de forma conclusiva pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados e deve seguir para a sanção presidencial. Pela proposta, as cuecas de tamanho adulto terão de trazer uma etiqueta com advertência sobre a importância do exame de câncer de próstata para os homens com mais de 40 anos.

Também será obrigatória a fixação de mensagem em calcinhas no tamanho adulto sobre “a importância do uso de preservativos como forma de prevenção do câncer de colo de útero e da realização periódica, por todas as mulheres com vida sexual ativa, de exames de detecção precoce dessa doença”. Nos sutiãs, a etiqueta deverá alertar sobre a importância do auto-exame dos seios para detecção precoce de câncer de mama, além de trazer informações sobre como fazer o exame. A regra se aplica a todas as peças produzidas ou vendidas no Brasil, mesmo aquelas importadas. A mensagem, a meu ver, deveria ter uma advertência inicial. Quando você tiver relações com alguém, sempre é bom avisar:

LEIA ANTES DE USAR

Antes que me esqueça, o estúpido autor do estúpido projeto é o ex-deputado Barbosa Neto, do PMDB de Goiás. A estupidez tramita no Congresso há mais de década. Enquanto o Legislativo, por desídia, delega ao Judiciário a tarefa de legislar, um deputado idiota invade um dos últimos resíduos de privacidade do cidadão, suas cuecas. Ou calcinhas. Ora, com que direito, um parlamento, decide carimbar minhas roupas íntimas? Será que um adulto precisa de um lembrete na cueca para fazer exame de próstata?

O projeto prevê ainda uma série de punições para as empresas que descumprirem a regra, como apreensão do produto, suspensão da venda ou da fabricação, cancelamento de autorização de funcionamento da empresa e proibição de propaganda. O Ministério da Saúde irá definir como será a aplicação e a fiscalização da nova regra. Após a sanção presidencial, fabricantes e comerciantes terão 180 dias para se adaptar à novidade.

Desista das grifes tipo Lupo, Gucci, Armani, Calvin Klein. O must agora é câncer de mama, colo de útero, câncer de próstata. Do universo entre as nações, resplandece a do Brasil. Pela primeira vez na história universal, um parlamento pretende imprimir palavras de ordem em suas cuecas. Como até as peças importadas devem ser carimbadas, se você quiser escapar da ditadura que determina como devem ser suas roupas íntimas, só viajando e comprando in loco. Isso se a aduana não impedir a entrada das cuecas ilegais.

Antes eu ia a Europa para comprar música e livros que não encontro aqui. Se passar o projeto, terei mais um pretexto para ir a Paris: comprar cuecas.

Agora temos mais uma leizinha infame. Em sessão tumultuada – leio no Estadão – a Câmara dos Deputados aprovou o projeto do Estatuto da Juventude que, entre outras inovações, assegura a meia-passagem em ônibus intermunicipais, interestaduais e de turismo a jovens assim classificados em três faixas etárias: o jovem adolescente, entre 15 e 16 anos; o jovem jovem, entre 18 e 24 anos; e o jovem adulto, entre 25 e 29 anos.

O projeto contou com o apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE). Dominada pelo PC do B, o partido a que pertence a relatora do projeto – a deputada gaúcha Manoela D’Ávila -, a entidade providenciou uma claque para aplaudi-la durante a votação do Estatuto da Juventude. Além da meia-entrada em cinemas e teatros, o projeto concede às três categorias de jovens o mesmo direito em eventos esportivos.

Ou seja, marmanjos que há muito estão – ou deveriam estar – já inseridos no mercado de trabalho, passam agora por jovens, para usufruir de meia entrada. Mais dia menos dia, algum político estará perorando: brasileiros e brasileiras, jovens adolescentes, jovens jovens e jovens adultos, homoafetivos e homoafetivas…

De qualquer forma, esqueceram de mim. A deputada não contemplou a faixa em que me insiro, a dos jovens senis. Por outro lado, acho que a nação deve proteger esta nova juventude. Qualquer relação sexual com menor de 29 anos deve ser punida como estupro de vulnerável.

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