FACEBOOK, O BODE EXPIATÓRIO

(Janer Cristaldo)

Segundo advogados de família britânicos, um estudo revela que o Facebook já provocou cerca de 28 milhões de divórcios. É o que leio nos jornais. Um dos advogados afirma que, dos trinta casos que lidou nos últimos nove meses, o Facebook estava implicado em todos. Já a empresa ‘Divórcio on-line’ avança que um em cada cinco pedidos de divórcios do último ano continham referências à rede social.

“A razão mais apontada é a proliferação de conversas inadequadas, de teor sexual, com pesssoas com quem os utilizadores não as deveriam ter”, disse Mark Keenan, diretor-geral do Divórcio on-line ao The Telegraph.

E quando não existia o Facebook – pergunto-me – quem seria o responsável pela maioria dos divórcios? Exagero dos rábulas. De trinta casos para 28 milhões vai uma longa distância. Ora, as ditas redes sociais de comunicação são fatores de separação como qualquer outro meio de comunicação. Acusar o Facebook por divórcios é como acusar o telefone ou os bares. Quanto mais rápidas as comunicações, mais rápidos seus efeitos. Divórcio, a meu ver, é fruto da humana estupidez e não de redes de comunicação.

Não tenho simpatia alguma por homens divorciados. A meu ver, são fracassados que não souberam gerir suas vidas. Já não penso o mesmo das divorciadas. De modo geral, são as mulheres que pedem as contas. Os divórcios aumentaram exponencialmente com a independência econômica da mulher. Mulher que é responsável por seu sustento é dona de sua vida. Desde décadas afirmo que a mulher evoluiu e o macho permaneceu parado no tempo. E isso nada tem a ver com Facebook.

Emma Patel, presidente de uma empresa de advogados de família, afirma que o site atua como um terceiro agente virtual nas separações. “O Facebook tem sido culpado pelo aumento das separações de casais”, devido à forma como estes vivem as redes sociais, afirma Emma Patel. Os advogados pedem-lhes, como tal, para se manterem longe da rede social durante o processo de divórcio, para evitar danos maiores.

“As pessoas sentem-se tentadas a partilhar os seus sentimentos online e, em alguns casos, não só expressam o seu stress, como também fazem acusações inflamatórias contra o parceiro”, refere.

É preciso ser muito estúpido – penso – para partilhar sentimentos online ou acusar publicamente parceiros. Da mesma forma, as conversas de teor sexual. Tais conversas não têm razão alguma de serem comunicadas a terceiros.

No fundo, a tal de infidelidade. É prática que desconheço. Sempre fui fiel a todas minhas amadas. Explico. Nunca escondi nada de ninguém. Ser infiel, a meu ver, é mentir. Se minha parceira sabe de minhas outras relações, não estou sendo infiel. E vice-versa. O que está em jogo não é o Facebook, mas a transparência. A idéia de traição, para mim, é ridícula. Traição não existe. O que existe tem outro nome. Chama-se mentira.

Não tenho simpatia por divorciados, dizia. Geralmente, é um macho que pretendeu dominar sua parceira. Se ela for dependente econômica, provavelmente engolirá a coisa. Ou não, afinal a lei garante a partilha de bens. Ocorre que hoje a mulher saiu de casa e foi à luta. É dona de seu nariz. E o macho parece não ter percebido isto.

Seja como for, divórcio é decorrência de precipitação. Jovens que se conhecem há dois ou três meses e decidem casar-se. Quando me convidam para algo assim, costumo responder: convidem-me para o divórcio. Apesar de ter sido casado – e muito bem casado – não tenho maior respeito pelo casamento. Falo do casamento passado em papel.

Papéis não garantem união estável. O que garante união estável é a honestidade de um parceiro em relação ao outro. Assinei papéis por conveniências jurídicas. Casei porque ganhei uma bolsa em Paris e queria levar a Baixinha. Não fosse a bolsa, provavelmente seria ainda solteiro. A propósito, li certa vez uma pesquisa que dizia serem as bolsas no estrangeiro um grande fator de casamentos.

Quem se divorcia uma vez, de modo geral se divorcia outras tantas. Canso de ver mulheres em meu entorno que reincidem no erro. Casaram com o homem errado, apelaram ao divórcio e ainda inventam de casar de novo, com o primeiro vagabundo que finge adorá-las. Há vigaristas óbvios que engambelam cândidas alminhas que ainda acreditam no tal de amor. Ou na tal de felicidade.

Um porta-voz do Facebook rejeita que a rede social possa destruir as relações, afirmando que “é como culpar o seu celular ou o e-mail”, e questiona: “estar no Facebook obriga alguém a fazer algo? Claro que não”. Enganar o parceiro não depende de rede social alguma. É fenômeno que sempre existiu. As ditas infidelidades se multiplicaram com as facilidades e rapidez de comunicação da Internet, não com as chamadas redes sociais.

A Internet apenas agiliza os divórcios.

– Enviado por Janer @ 10:45 PM

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