Pela Lei de Trânsito, Thor Batista não poderia dirigir

Jornal O Dia ) –

POR Mahomed Saigg

Rio – Envolvido em acidente na BR-040 sábado à noite, quando atropelou e matou o ajudante de caminhão Wanderson Pereira dos Santos, 30 anos, o filho mais velho do empresário Eike Batista, Thor Fuhrken Batista, 20, não deveria estar dirigindo. Com 44 pontos registrados em seu prontuário no Detran-RJ — acumulados entre 10 de dezembro de 2010 e 22 de outubro de 2011 —, ele já havia superado o limite de 20 pontos para perder a carteira estabelecido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como O DIA antecipou nesta segunda-feira.

Neste período, Thor foi flagrado cometendo nove infrações de trânsito, sete por excesso de velocidade. Outras duas, por avanço de sinal e por parar sobre a faixa de pedestres. Numa delas, o filho do homem mais rico do Brasil foi flagrado a mais de 105 km/h na Av. Borges de Medeiros, na Lagoa. A infração foi cometida na madrugada de 25 de setembro de 2011, na via cuja velocidade máxima permitida é de 70 km/h.

Em dezembro de 2010, Thor foi multado duas vezes no mesmo dia: punido às 3h13 de 10 de dezembro de 2010 por “transitar em velocidade superior à máxima permitida em 20%” no Aterro do Flamengo, ele voltou a ser multado pelo mesmo motivo às 12h25 na Rua Jardim Botânico. Especialista em legislação de trânsito, o advogado Flávio Horta explica que a punição prevista no Código de Trânsito considera só pontos acumulados no período de 12 meses. “O Detran tem cinco anos para instaurar processo de suspensão da habilitação”. No site do Detran não há informação sobre processo contra Thor: o órgão não explicou porque.

A assessoria de Thor disse que o jovem não sabia dos pontos e que nada tem a ver com o acidente. Ontem, Thor criou perfil no Twitter, onde relatou o atropelamento. “Durante todo o trajeto, a velocidade do veiculo SLR Mclaren permaneceu dentro dos limites da lei (…). Estava consciente que frequentemente ciclistas atravessam a faixa dupla da autoestrada”. Ele afirmou que “vinha na faixa esquerda com muito cuidado” e voltou a dizer que Wanderson atravessou a rodovia. “Ele empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão”.

Família nega que ciclista foi atingido ao cruzar a pista

A dor pela perda do companheiro com quem vivia há mais de cinco anos fez com que Cristina dos Santos Gonçalves, 49, se emocionasse, ontem, ao retornar ao local onde Wanderson foi atropelado. Ela se revoltou com a hipótese de que ele pudesse estar embriagado. O advogado de Thor quer pedir exame no corpo da vítima. Até agora, ela não teve coragem de voltar para casa.

“Estou com um vazio tão grande que só consigo pensar em Justiça”, disse Cristina. Segundo a auxiliar de cozinha, o ajudante de caminhão assistia à TV em casa quando, pouco depois das 18h, saiu para comprar ingredientes para fazer um pudim e um bolo para comemorar o aniversário da mulher, que havia sido na sexta-feira.

A tia e mãe de criação da vítima, Maria Vicentina Pereira, não crê que ele cruzava a via quando foi atropelado. “Ele foi atingido de frente e não tentando a atravessar a pista. Tanto que o mercado ficava no mesmo lado onde o carro o atropelou”, completou. Os advogados dos familiares irão se reunir em breve com o de Thor para debater futuras indenizações.

Polícia busca testemunha e reconstitui trajeto da vítima

Policiais da 61ª DP (Xerém) tentam localizar testemunhas do atropelamento, sábado à noite, na rodovia Washington Luis. Os investigadores esperam que algum morador ou motorista tenha presenciado o acidente, podendo apontar a velocidade do carro. Conforme as investigações iniciais, o corpo da vítima foi arrastado por 40 metros.

A polícia vai também reconstituir o percurso do ciclista. Desta forma, seria possível saber se Wanderson precisaria atravessar a rodovia para chegar em casa. Estudante que mora na região será ouvido. Ele não presenciou o atropelamento, mas correu para o local após ouvir o barulho do impacto.

Multas de Thor

Das nove multas, sete são por excesso de velocidade, e somam ao todo R$ 1.447,19. Em sete, já não cabe mais recurso. Confira as mais graves:

Em 25/09/11, Thor ultrapassou em mais de 50% a velocidade permitida na Av. Borges de Medeiros, na Lagoa. Valor: R$ 574,62, 7 pontos, infração gravíssima. Em 12/12/2010, já fora multado no mesmo ponto por trafegar com velocidade 20% acima do limite

Em 12/04/2011, ele avançou o sinal na Av. Rodrigo Otávio.

Em 11/06/2011, na Av. das Américas, ele excedeu em mais de 20% o limite de velocidade. No dia 21 de maio, cometeu a mesma infração no mesmo local.

Respostas na Internet

O filho de Eike Batista, Thor Batista, criou na noite desta segunda-feira um Twitter para, segundo ele, porque “a família da vítima merece esclarecimentos autênticos e votos de apoio”. Na página, o rapaz afirma que “descia a BR-040 apos um almoço com amigos, coisa que faço uma vez por mês no restaurante Clube do Filet, em Itaipava. Durante todo o trajeto, a velocidade do veículo SLR Mclaren permaneceu dentro dos limites da lei”, escreveu Thor. Leia os tuítes do  filho de Eike na íntegra.

Eike Batista respondeu durante todo o dia a uma série de mensagens em seu Twitter sobre o caso. A maioria das postagens direcionadas ao bilionário é de apoio, no entanto, muitos manifestam seu medo de que a Justiça não seja feita por causa do – enorme – patrimônio da família. “Ele (Thor) foi exemplar! E graças a Deus não bebe! (…) Nessa hora, os invejosos espalham sua raiva! Como só tenho marchas para frente, os cães ladram e a caravana passa”, afirmou, em resposta a usuários do microblog.

Entre todas as críticas recebidas, a do usuário Roberto Silva (@rrbetosilva) parece ter afetado mais o humor de Eike. Roberto afirmou: “Você começou a vida bem, construindo coisas, seu filho começou a vida destruindo…”. Ao responder esta afirmação, o empresário foi enfático: “Errado! A imprudência não foi dele! Pode acontecer com você!”.

Thor Batista se envolveu em um acidente no sábado à noite, por volta das 19h20, no km 101 da BR-040, que liga o Rio de Janeiro a Juiz de Fora (MG), nas proximidades do distrito de Xerém, Duque de Caxias, Baixada. O ciclista Wanderson, que cruzava a pista, foi atingido pelo veículo guiado pro Thor e morreu na hora.

“A imprudência do ciclista podia ter causado três mortes”, relatou Eike, em outra mensagem no Twitter. O bilionário ainda rebateu a acusação de uma internauta que afirmou que o veículo havia sido retirado do local do acidente antes da perícia. “Não é verdade, a perícia já foi feita! Só por isso que o carro foi liberado e está à disposicao da Justica”.

Eike Batista já havia usado a rede social para defender o filho neste domingo à noite. “Infelizmente aconteceu um acidente fatal. Porem a imprudencia nao foi do Thor”, afirmou o empresário através de sua página no microblog. “Minha solidariedade a familia e meu compromisso de que toda a assistência necessaria sera prestada”, escreveu.

Carros de luxo e 40 pontos na carteira

Primogênito de Eike Batista, sétimo homem mais rico do mundo, Thor Batista coleciona carros de luxo e 40 pontos na carteira, após ser multado nove vezes, segundo o site do Detran. Ele ainda responde por duas infrações, que podem lhe render ainda mais 11 pontos, caso perca o recurso. Uma da multas foi aplicada quando ele dirigia um carro do pai.
Herdeiro de R$ 54 bilhões, ele tem também na garagem um Aston Martin DBS, comprado por R$ 1,3 milhão. Horas antes do acidente, Thor e mais 14 amigos estiveram no restaurante Clube do Filé, em Itaipava. De acordo com um funcionário, Thor chegou por volta das 17h e saiu às 18h30, acompanhado de um amigo. Enquanto esteve no bar, ele só bebeu suco de laranja e chá gelado. Foi Thor quem pagou a conta de aproximadamente R$ 700 para todos.

Em nota, a EBX, empresa de Eike Batista, informou que Thor lamenta profundamente o ocorrido e prestará toda a assistência à família. A nota esclarece ainda que Thor estava na velocidade permitida.

Acidente


Thor terá de prestar depoimento quarta-feira, às 15h, na 61ª DP (Xerém). O jovem vai responder por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) pelo atropelamento do ajudante de caminhão Wanderson. Thor dirigia um Mercedes Benz McLaren prata, placa EIK-0063, registrada em nome do pai. Segundo relatou à Polícia Rodoviária Federal, a vítima cruzou a pista no momento em que passava. Wanderson morreu na hora.

Na versão de moradores do local que dizem ter testemunhado a tragédia, Thor teria tentado cortar um ônibus quando perdeu o controle do veículo e atingiu Wanderson, que trafegava de bicicleta pelo acostamento. Uma unidade médica da Concer, companhia que administra a via, foi chamada por Thor. Thor teria passado mal e largado o carro ao ver o rosto de Wanderson desfigurado. O filho de Eike seguiu de carona com seguranças, que faziam sua escolta, até o posto mais próximo da PRF, a cerca de três quilômetros do local. Lá, fez relato por escrito do acidente. Ele e o amigo passaram por teste de bafômetro, que constatou que os jovens não estavam alcoolizados.
Entre os parentes da vítima, o clima era de consternação. Uma tia que era a mãe de criação dele, Maria Vicentina Pereira, 48, afirmou que aquele era o caminho que o rapaz fazia diariamente para casa. “Ele fazia esse caminho desde criança e sempre andava pelo acostamento. Não acredito que tenha cruzado a pista ali. O local é perigoso”. Para ela, pelo estado do corpo, existe a possibilidade de que Thor estivesse dirigindo em alta velocidade.
Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli examinaram o local. O McLaren de Thor chegou a ser recolhido para um pátio da PRF, mas foi levado pelo advogado do jovem, Flávio Godinho, sob condição de deixar o veículo sem modificações e à disposição da polícia.
Advogado da família da vítima, Cleber Carvalho contestou o fato de Thor não ter sido levado para a delegacia. “Nunca vi o Estado funcionar tão bem. Em menos de duas horas, a perícia foi feita, e o corpo recolhido e liberado. Mas o Registro de Ocorrência (RO) está incompleto”, criticou Carvalho.
Vítima teve vida dramática, relata mãe de criação
O enterro de Wanderson Pereira foi realizado, na tarde do último domingo, no Cemitério de Xerém. Cerca de 80 pessoas prestaram a última homenagem ao ajudante de caminhão. Um tio, de 70 anos, que tem problemas mentais e recebia cuidados de Bê, como a vítima era carinhosamente chamada pela família, passou mal e foi medicado.

O funeral custou R$ 8 mil, pago pela empresa EBX, de Eike Batista. Porém, segundo familiares da vítima, o valor teria sido contestado por representante do empresário no IML. “Escolhi uma urna de R$ 7 mil, e ele disse que era cara. Então, decidimos pagar nós mesmos, e ele mudou de ideia”, revelou Maria Vicentina Pereira, 48, tia de Wanderson, que foi quem o criou.
Segundo ela, o valor restante (R$ 1 mil), foi para a reconstrução da face. Maria afirmou que o sobrinho era uma pessoa trabalhadora, alegre e que passou pro muitas dificuldades. “A mãe e o pai eram alcoólatras. Ela o abandonou com oito anos, e ele o batia com frequência. Eu que cuidava dele. Parte de mim morreu com ele”.
Tia do ajudante de caminhão, Célia Pereira foi a última da família a encontrar com ele. “Na manhã de sábado, ele foi na minha casa, falou do trabalho e comemorou que ia na loteria pagar umas continhas. Depois falou: ‘Vou embora’. E realmente foi”, lembra. Ela garante que uma possível indenização paga pelo bilionário não a interessa: “Queria ele vivo, só isso”. Em nota, a empresa EBX, de Eike, nega polêmica na hora de arcar com custo do enterro.

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