A culpa toda é da Rita

Por Ricardo Noblat – g1.com. br

– Lula diz que não deixará aos ministros do STF a tarefa de escrever o último capítulo da biografia dele. A tarefa caberá ao povo, segundo Lula. Bobagem. Lula é o autor principal do capítulo que foi escrito lá atrás.

Em meados de 2005, Roberto Jefferson, presidente do PTB, resolveu atear fogo às próprias vestes denunciando o mensalão. O fogo queimou também as vestes de Lula e dos comparsas corruptos e passivos lavadores de dinheiro que tentaram se apoderar do aparelho do estado.

Uma vez que a mais alta corte de justiça do país declarou que o mensalão existiu e que se alimentou do dinheiro público, e que se prestou a compra de apoios para que o PT se perpetuasse no poder, não importa mais perguntar se Lula sabia de tudo ou se foi traído.

Numa vez que ele compareceu a televisão para pedir desculpas pelo escândalo e se dizer traído, numa cena patética Lula não conseguia olhar dentro do olho de quem o assistia. Ora olhava meio sem jeito, ora olhava para o teto da sala onde gravava seu pronunciamento.

Não passaria num teste mais amador, mais vagabundo, para saber se dizia a verdade. Lula deu a entender que desconhecia tudo o que acontecera a poucos metros do seu gabinete no Palácio do Planalto.

Ao avançar no julgamento do mensalão, o Supremo deu nome aos traidores. Foram todos aqueles condenados até aqui.

Por acaso Lula veio a público e disse alguma coisa a respeito? Manifestou sua surpresa? Anunciou que se afastaria dessa gente?

Ninguém traído por seus auxiliares mais próximos reage com tamanha frieza e desfaçatez ao saber que eles foram condenados pela justiça, ou os defende por julgar inconcebível que tenham agido da maneira que o tribunal apontou, ou se une aos juízes que os condenaram com indignação, e deixa transparecer toda a sua amargura com aquelas pessoas que o fizeram de trouxa, e a sombra de suas barbas cometeram graves crimes.

Mais não. Lula guarda o silêncio dos cúmplices. Dos cúmplices não. Do chefe dos culpados.

E longe dos holofotes que o deixaram mal com o distinto público, apóia, consola, anima os que se sacrificaram para que ele escapasse do desastre apenas com leves arranhões.

Não duvidem. É tamanha a confiança de Lula no fascínio que exerce sobre a maioria dos brasileiros; tamanha é a certeza dele de que os bem alimentados não dão a mínima bola para a corrupção, que Lula ainda será capaz de sair em defesa dos mensaleiros condenados.

Condenados por quem? Por uma corte de ministros indicados para o cargo por governos anteriores ao de Lula? Uma corte de homens medrosos que se abastardaram diante do poder das elites conservadoras e de uma imprensa golpista, como quer o PT?

Não! Os mensaleiros estão sendo condenados por uma corte de dez ministros, sete dos quais nomeados por Lula e Dilma. Um dos melhores, senão os melhores empregos da república.

Lula deve ter pensado que ministério era cargo de confiança, e que seu ocupante devia lealdade. Descobriu que não é. Agora é tarde.

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