Brasil: Protesto pacífico em forma de baderna

Estudiosos do comportamento humano adoram criar teses sobre acontecimentos previsíveis como remissão de culpa; catarse.
Estudantes e docentes brasileiros nos últimos dez anos viveram a euforia ideológica do lulo-petismo de olhos vendados. O período de reflexão chegou pouco antes do final do segundo governo Lula.
Uma mea culpa se estabelecia a olhos vistos nos cochichos dos círculos mais conscientes. A contra-informação governista estava atenta e passou a bombardear a parcela mais suscetível da população votante na crença sebastianista cujo semideus seria o dono da verdade absoluta. Aquele que estabelecia que o povo estando com ele estaria bem servido. Para sempre.

Entre os universiotários criados no ninhal do petismo, olhos abriram, vendas começaram a cair, cataratas cristalizaram limpidamente. Agora a previsibilidade do imprevisível aparece exposta nos alicerces.

Os teóricos regentes do estado brasileiro jamais perceberam, ou fizeram vistas grossas, para a possibilidade das ações de guerra intestina em forma de baderna generalizada deflagradas na ultima semana no país, sob o mote inicial e insustentável de causa por míseros 0,20 centavos de aumento de preço das tarifas dos ônibus; não entende a rebeldia estudantil mesclada com militâncias políticas, à catequese partidária. Tampouco e principalmente, a resistência das forças policiais protetoras da sociedade e do patrimônio físico, na defesa da lei e da ordem do estado de direito.

A nau capitânea ancorada em Porto Feliz da Brasília começou a fazer água com previsão de afundamento iminente. Comandante, presidente Dilma Rousseff, em meia linha informou através da porta-voz, ministra Helena Chagas, que seu governo entende protestos pacíficos como atos naturais nas democracias.

Atos naturais são aqueles cujo desmembramento prático não fere, não depreda e termina como começou: Pacificamente.

Rio de Janeiro. Enquanto escrevo vejo nas agencias informativas que pelo menos 20 policiais estão feridos, um teve o braço quebrado. Contraria completamente a nota presidencial. Pelo visto, continuará a querer estar desinformada.

Parte dos manifestantes já dispersa. Mas um grupelho de rostos cobertos permanece ateando fogo e depredando patrimônios públicos e privado.

O governo do Rio de Janeiro, inerte, se mantém alheio ao que acontece. Os baderneiros dançam ao lado da fogueira que atearam, ritualizando através de danças, tribalmente.

É estarrecedor.

FC.

2 comentários em “Brasil: Protesto pacífico em forma de baderna

  1. As vaias à Chefe de Estado e ao Presidente da FIFA significam demonstração coletiva de má educação. São uma vergonha para o Brasil. Trabalha-se tanto para organizar um evento planetário e, no momento da abertura, com milhões de telespectadores ligados em todos os continentes, uma turba politicamente indigente dá uma amostra grotesca de desrespeito, uma verdadeira agressão, também, aos que derramaram suor em incontáveis horas de trabalho para erguer do zero a arena nacional dedicada a um dos maiores nomes do futebol mundial. Aposto que, de vivo fosse, Garrincha reprovaria a manifestação infamante do público presente no estádio batizado em sua homenagem. Imagina na Copa, como será…

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    1. Vaias ou apupos são instrumentos legítimos de protestos. Não ferem. Não matam. Não sequelam. Não destroem patrimônios público ou privado. Refletem apenas o ânimo dos prejudicados pelas ações nefastas a sociedade praticadas ao bel-prazer de um governo daninho.
      Aliás, na opinião da própria presidente, vaiar é direito liquidecerto de quem se julga prejudicado.
      A presidente no passado, também foi ativista às avessas, das manifestações que implicariam mais tarde, na sonora atitude dos torcedores atuais, por causa nobre e justa.
      Lembro ainda, sem que a lembrança faça juízo de méritos ou deméritos, que explodir, matar, sequelar, sequestrar, roubar, assaltar, foram verbos conjugados pela presidente e sua troupe durante o período ditatorial, ao contrário do público presente na inauguração do Mané Garrincha, que apenas vaiou, aplaudiu e torceu pacificamente até o apito final do juiz daquele embate futebolístico internacional.

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