A desfaçatez adotada na liderança político-ideológica 

Quando o mundo foi entendido politicamente, fez-se crer que um mix de amor próprio e lógica social, seria suporte bastante para desenvolver serena, digna e sustentadamente as gerações do por vir, porquanto a ética regente do comportamento apontava para honra e honestidade como forma de relação interdependente entre líderes e liderados.

Podemos pensar que essa dependência jamais seria sacrificada em detrimento de um ou de outro. Havia o sentimento de compromisso público, principalmente com a história. Liderar exprime e enfatiza conceitualmente a capacidade de uns poucos inspirados comoverem e mobilizarem as massas na caminhada em busca do destino.

Modernamente é aceita a ideia onde o líder pode mudar as coisas, fazendo valer teses muitas vezes sem a menor fundamentação. Comandantes na antiguidade usavam as tropas inconvictamente e sem qualquer logística além do poder do grito estimulante que transformava o ajuntamento em horda desenfreada.

O advento da tribuna mudou os conceitos tribais do líder hereditário criando colégios de aconselhamentos. Contudo, prevalecia a palavra final, do maior deles, na forma arcaica e autoritária contrapondo Minerva.

O conceito geral inapropriadamente definido em seu conjunto de raças, classes sociais, dialética, nações ou povos, comunidades, guetos etc., ao filtrar a componência define o indivíduo como mero agente das forças que unidas na diversidade de sua constituição, entende que são não simples expectadores, enquanto uno, mas o peso da força que transforma o espírito do tempo e história propriamente dita.

Mas a individualidade precípua da opinião pessoal torna-se insignificante.

A multiface do determinismo histórico atesta a escravatura do líder com os acontecimentos por si mesmo: aconteceu por que tinha de acontecer. Classes, Raças (?), não importa.

Essa rigidez anula completamente o ideal da liberdade humana, não mais como simples conceito de raça, mas por cujo livre arbítrio se esvai, nas ações e nos pensamentos.

Na contramão corre por fora a massa. Na cabeça ainda se norteia pelo direcionamento do líder. Presença e voz é a própria essência para o seguimento. As fileiras atrasadas seguem os seguidores de forma desordenada e sem critério para o que está fazendo naquele lugar; quais as diretrizes, o que se espera deles?

Não há pensamento reverso a lógica seca da ordem explícita ou implícita. Ao clamor das ruas sigo o líder, ou, o povo segue em busca de seu ideal. Devo segui-lo?

Tampouco existe a possibilidade oracular que a liderança convencional sirva para o bem ou para o mal. Biografias mentem tanto quanto os pinochios compulsivos. Têm serventias relativas. Só servem para estudo de pontualidades enquanto o biografado não tenha se tornado líder massivo com poderes reais de transformar a vida do seguidor em recanto feliz ou inferno, como trampolim para o sucesso de sua carreira, a qualquer custo.

Contingências do momento faz com que o líder se manifeste persuasivo ou pela força. A visão do persuadido, logo por consentimento na fraqueza espontânea, pelo resultado, onde o funesto não estará descartado. Nunca.

No dominado, dependerá de sua personalidade. Submeter-se e morrer é possível.

A atualidade redescobriu o princípio legado da igualdade, cuja ideia indica que somos todos iguais perante a lei, detonando na contra partida, o feudalismo e suas formas de hierarquias, respeito e autoridade.

Alexis Tocqueville identifica em Democracia na América, que igualdade tanto pode significar igualdade na liberdade, como igualdade na servidão.

O Século XXI despontou trazendo novas visões políticas para a América latina. Ditaduras e democracias legítimas e falsas.

O Brasil, bebezinho democrático, ainda engatinha sem encontrar o rumo definitivo. Desde a Constituição de 1988, vinha sendo bombardeado por lideranças de políticas extremistas, e visivelmente de causa dúbia, político-pessoal.

A sociedade despreparada cultural e politicamente, após o bombardeio ideológico, a princípio resgatador da dignidade social brasileira, depois de eleições mal sucedidas, segundo uma visão minada por reacionistas, elege por fim, Luís Inácio da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil.

O sonho impossível fora realizado. O grande líder operário, segundo na ordem mundial, iria governar em grande estilo a nação brasileira. O povo a partir daquela data não mais sofreria com o mal da fome, da inflação, dos impostos cruéis, da falta de empregos e justiça social. Temos líder, dizia uníssono.

Em Cuba, Fidel Castro ao tomar o poder pela força, em oito de janeiro de 1959, foi recebido em Havana por um séquito de 500 mil cubanos esfuziantes, discursou: “Juro diante de meus compatriotas que, se qualquer dos nossos compañeros, ou nosso movimento, ou eu mesmo me tornar um obstáculo para a paz, a partir deste exato momento, o povo pode decidir sobre nós e dizer-nos o que fazer”.

Che Guevara comentaria mais tarde: “Éramos somente um grupo de combatentes com grandes ideais e pouco preparo… e tínhamos de mudar as estruturas e iniciar as transformações sem um plano”.

Meio século depois a história se repetiria no Brasil. Não havia Fidel mais havia um Lula; não havia outro Che Guevara, sanguinário mas honesto em espírito. Mas existia um José Dirceu, desonesto contumaz, nocivo, devido às diferenças territoriais, econômica, populacional e ideológica entre os dois países.

Na tomada do poder, Cuba pela força das armas, Brasil pelo voto, o pressuposto seria propósitos libertários semelhantes. As lideranças detinham critérios morais de demanda absolutamente idênticos, de fachada: honradez, honestidade e lisura. Condições sem a qual o fim desejado, do ponto de vista do liderado,  não seria atingido.

Lula e José Dirceu, dois líderes malignos, além do plano geral do mal obsequiado pela corrupção entre seus pares, não detinham qualquer outro compromisso com a sociedade. Tudo de bom que produzissem seria meio. Os fins, mal que poderiam fazer contra a nação, seria imensurável. Foi. Está sendo! Até quando?

 

FC

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