O FRUTO MADURO

(A meia idade feminina )

Sylvio Ferreira

Quando soube extrair da vida as lições que a vida ensina, a mulher de meia-idade é como fruto maduro prazerosamente desejado. Um fruto amadurecido graças a magia e à alquimia do tempo, sem o emprego de nenhum artifício.
O seu espírito revela equilíbrio e harmonia, como em nenhuma outra fase da sua vida. Ela é potência transformada em ato. Nada é promessa, tudo é realização. O passado,  o presente e o futuro nela se fundem para formar um tempo único: o tempo da boa safra.
Ela sabe o que busca, o que a torna criteriosa e seletiva em suas escolhas. Qualquer um que desconhecer esses princípios ou não for capaz de identificar que o fruto encontra-se em seu ponto certo, estará excluído de usufruir da boa safra.
O fruto encontra-se maduro, mas para colhê-lo é preciso  conhecer o momento devido, sem precipitação. O que precisa ser feito com muito tato, cuidado e carinho. Haja vista que a boa safra não é obra do acaso, mas produto de um  longo processo de depuração, em que a mulher de meia-idade foi  progressivamente amadurecendo: para si, para as outras pessoas,  para a vida e para o mundo. Senhora de si, ela sabe como lançar as cartas sobre a mesa,  e o faz com charme e elegância.
Do ponto de vista sexual,  ela tem a aprender tanto quanto a ensinar, o que estabelece um equilíbrio no relacionamento.  E tudo o que faz, ela o faz como opção: sem desvario ou arrependimento. A sensatez é a sua marca registrada.
Outra  característica é que ela não se envergonha da sua idade.  Pelo contrário, ela se orgulha dos anos vividos e de ser um fruto maduro.  E mesmo que não diga,  lamenta, interiormente,  que haja quem se contente em colher uvas verdes.
O fruto maduro liberta,  não aprisiona. Acrescenta,  não retira.  Compartilha, não  exclui.  Lança as suas sementes e fecunda a vida de qualquer homem, tornando-a criativa, rica e exuberante.  É a propagação da vida, a alegria que move o espírito e a felicidade que transborda o coração.
Nos tempos pós-modernos,  a mulher de meia-idade necessita ser redescoberta e valorizada pelos  homens  sem nenhum favor.  Sobretudo, e principalmente, quando ela soube extrair da vida as lições devidas e se fez mulher em toda a sua maturidade e plenitude.
De uma maneira geral, enquanto as mulheres amadurecem,  os homens se infantilizam  (especialmente os homens de meia idade).
E ao invés de desfrutarem da delicia de um fruto maduro  ( por desconhecimento do seu valor ou por pura incompetência em saber selecioná-lo) preferem colher uvas verdes: inteiramente fora de época e nem sempre da melhor safra.

Psicólogo e professor Sylvio Ferreira

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