Religião e Prazer Batem de Frente nos Púlpitos das Tribunas Eclesiásticas

por freiconvento

Primeira parte:

Muito já foi dito e muito pouco acreditado. A evolução do cérebro humano indica claramente que o centro do prazer se expande e produz sensações cada vez mais claras sobre a necessidade de sobrepujarmos as culpas e as dores – não importando se físicas ou da alma – através da analgesia dos enlêvos, gostos individuais, realizações pessoais e clímax carnal. Os “aguilhões da carne*” sempre foram malvistos fora das sacristias, celas e muros dos conventos; também dos seminários teológicos protestantes; e salas sociais das catequeses fajuto-evangélico-cristãs. Oficialmente nas religiões tradicionais ou neo-existentes, o combate antissexo por prazer, funciona como objeto obssessivo… de fachada(!?). Mas corre a contragosto de muitos bispos, padres, pastores, e impostores autoditos evangélicos, praticantes contumazes do sexo desenfreado e, inclusive, pedofilia. Contra o sexo versus sexo, só se age quando os escândalos acontecem. Mas não vemos, primariamente, iniciativas e boas ações para combater com bom combate e para estabelecer paradigmas e atitudes preventivas contra os crimes na forma da lei contra os abusos perpetrados por religiosos de todos os credos: Crimes sexuais contra crianças e adolescentes. Voltemos ao tema inicial: Causa espécie constatarmos que tanto os fiéis quanto os infiéis, agem da mesma maneira sem tirar nem por. Contra aqueles que descumprem os votos do celibato (padres e freiras), pesa a infração moral e desobediência ao Direito Canônico. Contudo, desde o primeiro memorial canônico grafado em pergaminho, o dogma do celibato é transgredido por Papas e Bispos. Passou pela idade média, e continua nos dias de hoje, por Bispos e autoridades menores do Clero. Tivemos em Pernambuco, há algumas décadas, mais precisamente em agosto de 1957, um exemplo de como funciona as transgressões de danos morais e criminais de cunho irrecuperáveis: Na Comarca de Quipapá, subordinada episcopalmente a Comarca de Garanhuns, ambas muito próximas uma da outra em Pernambuco, numa disputa contra o passional em favor dos bens da moralidade entre um Bispo e um Padre, caso que ficou conhecido nos anais da Igreja Católica, Vaticano, resto do mundo, e das polícia e justiça pernambucana como o “Caso (ou crime) do Padre Hosana”, parodiando o título do livro de Eça de Queiroz, “O crime do Padre Amaro”. O Padre Hosana matou com três tiros de revólver, à queima roupa, o Bispo de Garanhuns, seu superior imediato, Dom Expedito Lopes, que ousara quebrar as regras não escritas que regiam a pouca vergonha praticadas nas sacristias e locais afins, ameaçando publicizar e punir severamente com a perda da batina, o padre seu futuro assassino. Hosana caíra de amores carnais apaixonando e amasiando-se intestino-familiarmente com uma de suas primas. Relacionanento conhecido de todos os candidatos a santo da época, e dos fervorosos crédulos de sua jurisdição religiosa – e outros, desde o alto sertão até o litoral. As fornicações, amassos e amolegados aconteciam quase a vista dos olhares públicos, e giravam só nos cochichos à boca miúda. Não houvera divulgação oficial dos fatos até que o Bispo Dom Expedito Lopes em tripudiando e desonrando o então desafeto, tomou dos microfones das rádios difusoras das duas comarcas, difundindo os fatos e a punição já citada a ser aplicada em ato contínuo. Sem publicidade tudo podia – e pode – acontecer nos ambientes sacrossantos. O padre se deslocou até Garanhuns e tomou satisfações com o acusador. Sem perdoá-lo detonou-o por três vezes. Após matar o Bispo, Hosana entregou-se a polícia. Foi condenado pela justiça ao final de vários julgamentos complicados. Ele assassinara a tiros seu contendor. Mais tarde após cumprir a pena e livrado da justiça, pagou com a mesma moeda. Aos 83 anos de idade foi assassinado misteriosamente a porretadas em sua fazenda.

FC

* Frase cunhada pelo escritor Júlio Ribeiro, em A Carne

Continua

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