A FERA ROSNOU DIA 13 DE SETEMBRO EM CURITIBA

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Ontem, dia 13/09/17, Luiz Inácio Lula da Silva, o biltre ícone petista e patrono singular do lulismo por ele mesmo, foi inquirido mais uma vez pelo juiz Sérgio Moro.
A desfaçatez é sempre a mesma.
Lula mente vil e descaradamente sem que se dê conta que a sociedade civil o repudia por isso; que a nação quer a verdade como resposta; que não há mais lugar para proselitismo criminoso, tampouco espaço para manutenção da corrupção e legislar em causa própria…

Sérgio Moro, insígne juiz, observador tenaz das causas legais, não se afoba e com paciência de Jó, escuta as pseudo lamúrias do coitadinho que o mundo antes elogiava, mas agora exige o pagamento por ter sido enganado indiscriminadamente por tal criatura do mal, que se mostra vestindo um manto sagrado só merecido por gente de bem, proba, honesta.

Lula quando abre a boca destila impropérios qual alambique que escorre chorume fétido.

Perdeu a capacidade de oralizar convencimento natural.

A ferocidade interior é latência de predador, malígna própria. Onomatopeicamente aflui ameaçadora contra quem não está com ele.

Transgride o bom senso. De acusado passa a ser acusador. Desrespeita o próprio rito ouvidor e do julgamento se rebelando contra o magistrado que o interpela.

Sabe que a mídia mostra-o online para o mundo e passa recado nas entrelinhas, no qual convoca a todos, seguidores e apoiadores, que a hora do confronto direto nas ruas está próxima; que sua prisão é iminente; será o estopim detonador para o sangue intestino escorrer nas ruas, praças e avenidas, erguida a bandeira facista do “nós”, causa petista e lulista, contra “eles”, a parte da sociedade brasileira que não sucumbiu diante de promessas vãs, corrupção e outros “malfeitos” que levaram ao afundamento político e moral da nossa nação, e a derrocada económica que nos tornou mais miseráveis pela perda de empregos e de não conseguir levar sustento digno para nossas famílias, nossos filhos.

FC

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LULA é denunciado por seu ex-braço direito ANTONIO PALOCCI

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A fila andou. Finalmente alguém abortou o mêdo de quebrar o pacto do silêncio imposto pelo PT aos líderes da maior quadrilha institucional jamais vista no Brasil e no mundo.
ANTONIO PALOCCI abriu o jogo diante do juiz SÉRGIO MORO. Durante mais de quatro horas depôs contra o capo-bandido e demais chefes petistas. Não poupou ninguém. Desceu a minúcias falando inclusive sobre um pacto de sangue entre LULA e o empresário EMÍLIO ODEBRECHT. O ex-ministro confirmou que LULA é o dono do sítio de Atibaia e do triplex; que recebeu o terreno do Instituto Lula também como propina, portanto.
Dia 13 de setembro vindouro o crápula ora denunciado enfrentará o juiz MORO novamente. Diante do exposto e das duas novas denúncias contra o já condenado biltre pelo mesmo juiz a nove anos e meio de prisão, qual responde ainda em liberdade, poderá receber voz de prisão se faltar com o devido respeito a MORO. O cerco se fecha cada vez mais em torno do que ainda resta da quadrilha que assolou o Erário brasileiro por mais de 13 anos consecutivos. Na delação PALOCCI não esqueceu de falar sobre a participação ativa da anta-ex-presidente, DILMA ROUSSEFF, e da não menos bandida-senadora atual presidente do PT, GLEISI HOFFMANN, mulher de PAULO BERNARDO, outro ladrão contumaz a serviço do PARTIDO DOS TRABALHADORES, entre outros de menor valia entre seus pares petisto-criminosos.

FC

Assombração

Se o Brasil deu a sorte de se ver livre de Dilma antes que ela pudesse completar sua grande obra, o mesmo não se pode dizer de seu partido, o PT

O Estado de S.Paulo
01 Setembro 2017

Há um ano, o Brasil se livrava definitivamente de Dilma Rousseff. A conclusão do processo de impeachment, em agosto de 2016, fechou um dos capítulos mais tresloucados da história nacional, representado por uma presidente que se julgava exímia administradora, mas que, em menos de seis anos, condenou o País a um retrocesso econômico de duas décadas – e será necessário outro par de décadas para a plena recuperação, isso na hipótese de o eleitor ter aprendido a lição e não se deixar mais seduzir por um discurso irresponsável como o que elegeu e reelegeu Dilma Rousseff.

Se o Brasil deu a sorte de se ver livre de Dilma antes que ela pudesse completar sua grande obra, o mesmo não se pode dizer de seu partido, o PT. Como se sabe, no momento em que se sacramentava o impeachment, em 31 de agosto de 2016, uma vergonhosa manobra regimental do então presidente do Senado, Renan Calheiros, em dobradinha com os petistas e com o aval de Lula da Silva, permitiu ao então presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, manter os direitos políticos de Dilma ao mesmo tempo que a cassava – uma aberração legal tão evidente que sua constatação dispensa consulta à Constituição. Assim, a ex-presidente pode perfeitamente candidatar-se a qualquer cargo eletivo, mesmo tendo sido deposta da Presidência por crime de responsabilidade.

O problema é que, tendo destruído a economia do País, Dilma é um ativo tóxico em qualquer palanque. Conforme mostrou recente reportagem do Estado, nem o PT sabe o que fazer com a presidente cassada.

É claro que os petistas que não gostam de Dilma a criticam pelos motivos errados. Para eles, a ex-presidente deveria ter interferido na Polícia Federal para impedir que a Lava Jato crescesse e que os escândalos de corrupção derivados das investigações atingissem em cheio o PT e seus principais dirigentes.

Além disso, essas alas petistas acreditam que Dilma é um problemão para a candidatura de Lula da Silva à Presidência em 2018. Segundo o raciocínio dessa turma, Lula, como se não bastasse ter de provar que é a “viva alma mais honesta deste país”, embora seja réu em diversos inquéritos por corrupção e já tenha sido condenado em um deles, ainda precisa convencer os brasileiros de que a profunda crise econômica legada pelo governo de Dilma Rousseff não é fruto da enorme incompetência de sua pupila. Trata-se de uma tarefa hercúlea até mesmo para o inegável talento demagógico do demiurgo de Garanhuns.

O fato é que Dilma paira sobre o PT como uma assombração. Especulou-se, nos últimos tempos, que ela poderia se candidatar ao Senado pelo Rio Grande do Sul ou pelo Rio de Janeiro, mas muitos petistas acreditam que essa candidatura seria prejudicial ao partido, não apenas porque as chances eleitorais de Dilma seriam remotas, atrapalhando candidatos mais fortes, mas principalmente porque colocaria em evidência, na campanha, aquilo que o PT quer esconder, que é justamente o legado da desastrada presidente.

Oficialmente, o partido mantém o discurso de apoio a Dilma. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que “Dilma é a grande liderança que encarna a injustiça contra o PT” e que, se decidir se candidatar em 2018, “vai ter muito voto”. Mas o próprio Lula tem dificuldades em lidar com sua criatura. Na tal “caravana” que está empreendendo pelo Nordeste, em escancarada campanha eleitoral antecipada, Lula já teve de admitir que Dilma cometeu erros na condução da política econômica, ainda que atribua a crise a sabotagens do deputado cassado Eduardo Cunha, quando este presidia a Câmara.

Conforme reportagem do Estado, Dilma já disse a amigos que, no momento, está inclinada a não se candidatar a nada, pois prefere as viagens internacionais, para denunciar o tal “golpe” de que se diz vítima, e a convivência com artistas e intelectuais. Decerto Lula está torcendo para que Dilma se decida a desistir da política e se limite a frequentar reuniões lítero-musicais e a andar de bicicleta. Afinal, se ela resolver subir no palanque, os eleitores haverão de se lembrar do que ela fez ao País – e Lula terá dificuldade para esconder o fato, incontestável, de que é ele o pai da criança.

A lei e o arbítrio

Não houve descumprimento da lei na decisão da Câmara dos Deputados de negar autorização ao prosseguimento da denúncia contra Temer
O Estado de S.Paulo
21 Agosto 2017 | 03h00
Dentro de suas atribuições constitucionais, a Câmara dos Deputados negou autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para dar prosseguimento à denúncia contra o presidente Michel Temer apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Diante dessa negativa, o ministro Edson Fachin determinou, no dia 10 de agosto, a suspensão do inquérito até o término do mandato de Michel Temer, também como determina a Constituição. No entanto, há quem difunda a ideia de que esse desfecho da denúncia contra o presidente prejudica o andamento da Operação Lava Jato.

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos coordenadores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, criticou, em entrevista ao jornal Valor, a decisão da Câmara dos Deputados de negar prosseguimento à denúncia. “Toda vez que uma investigação não atinge os seus objetivos, uma acusação não é processada, boa parte da população se sente desanimada”, disse Carlos Fernando. “O certo mesmo de qualquer acusação é que seja recebida e o Judiciário enfrente o mérito”, sentenciou o procurador.

A afirmação do procurador reflete uma opinião pessoal – e muito enviesada – e não o que manda o Direito. O certo, com o qual o Ministério Público deve estar absolutamente comprometido, é o cumprimento da Constituição. E no caso concreto verifica-se uma exata obediência ao mandamento constitucional. O art. 86 da Carta Magna condiciona o julgamento criminal do presidente da República pelo STF à admissão da acusação “por dois terços da Câmara dos Deputados”.

Essa disposição constitucional não representa qualquer conluio com a impunidade, sendo apenas um reconhecimento de que eventual julgamento do presidente da República tem sérios efeitos sobre o País e que, portanto, merece um cuidado especial. É do sistema democrático que matérias especialmente sensíveis à vida da sociedade sejam submetidas ao controle do Poder Legislativo.

Ao comentar a votação que negou o prosseguimento da denúncia contra o presidente da República, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fez a seguinte avaliação: “Acho que os únicos que ganharam (com a decisão) foram os partidos e políticos que fizeram barganha e que agora têm uma posição de poder barganhar novamente”. Como é evidente, escapa ao papel do Ministério Público emitir juízos sobre o papel constitucional da Câmara dos Deputados. Há no País uma saudável e necessária separação dos Poderes, e o Ministério Público – é sempre bom lembrar – não é um deles.

Além disso, dar como fato a vinculação entre a decisão da Câmara e suposta barganha dos deputados indica uma inversão de princípios incompatível com a defesa do bom Direito, tarefa que, entre outras, compete ao Ministério Público. Nesse equivocado raciocínio, presume-se que Michel Temer seja culpado dos crimes de que foi acusado e, portanto, o voto negando prosseguimento à denúncia só poderia ser efeito de negociações espúrias. E se houve barganhas condenáveis, cabe a qualquer membro do Ministério Público levar o caso à Justiça, não deblaterar perante a opinião pública.

É benfazeja, sem dúvida, a disposição do Ministério Público de perseguir crimes e criminosos. O País precisa dessa persistente luta contra a corrupção e a impunidade, que não se restringe, como é óbvio, à Operação Lava Jato. Mas não é benfazejo que membros do Ministério Público, fazendo vista grossa aos ditames da lei, tratem tudo o que não lhes agrada como sinônimo de impunidade. Não houve descumprimento da lei na decisão da Câmara dos Deputados de negar autorização ao prosseguimento da denúncia. Não cabe, portanto, criticá-la, como se ela contribuísse para a impunidade.

Nesses tempos esquisitos, faz-se necessário lembrar que, onde há lei, não há impunidade. Quando o Direito é esquecido e o que vale na prática são as opiniões pessoais, a tão almejada “batalha contra a impunidade” é mera ilusão, simples manobra de quem deseja impor suas vontades.

LuLécio (Lula & Aécio), eita dupla da pesada…

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É verdade amigos. A dupla é especializada em pizza-político-corruptas.

Dois “Cheffs” nota 10, mas antagonistas entre sí, perceberam que além dos crimes de mesma natureza, que eles perpretavam, tinham algo em potencial que lhes serviria em comum no curto prazo: Unindo-se em uma dupla aloprada subiriam sua posição no hit-parede dos conchavos da política de baixo nível enquanto o Ministério Publico, Sérgio Moro e o STF, cairiam para último lugar – que é passagem obrigatória da seção pantomímica do núcleo de animação do palácio central – como palhaços “bôbos da côrte”.

LuLécio, o par-de-dois único divisível que ressomados a eles mesmos transformam a inequação política em tábua de salvação da malandragem petisto-tucana, desmoralizou “legalmente” as autoridades investigativas federais e a própria Justiça.

Lula no dia 28 de junho, na Polícia Federal, depôs favoravelmente em benefício do arqui-inimigo político do PSDB, Aécio Neves, livrando-o de algumas acusações sobre fatos que tinham ocorrido em seus dois governos (PT) quando Aécio era governador de Minas Gerais pelo PSDB, no caso FURNAS.

As estratégias maquinadas pelas cabeças pensantes dos advogados dessa nova instituição pontual agora denominada (PT-PSDB) são ilimitadas.

Sem sombra de dúvida haverá trôco em moeda correlata nos moldes uma mão lava a outra.

Quem sobreviver verá!

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SOBRE AMIZADE, AMOR E DOENÇA

Jáner Cristaldo (in memoriam)

Sábado passado, escrevi sobre o frívolo conceito de amizade que está se tornando usual em função das redes sociais. Se, durante séculos, amigo era um ser muito especial, hoje amigo é qualquer um. Nestes dias em que se fala de um milhão de amigos, a discussão merece mais algumas considerações.

Há uns bons dez anos, comentei L’Amicizia secondo i filosofi, de Massimo Baldini (Città Nuova, 1998), uma antologia de textos filosóficos sobre a amizade, com um ensaio do antólogo à guisa de prefácio. Trata da amizade em seu sentido mais nobre, e não da amizade irresponsável proposta por alguém que jamais vimos. Os filósofos, no caso, são aqueles que a história consagrou como tais, e não professores que os papagueiam e se julgam pensadores. A reflexão é oportuna, nestes dias em que a amizade muitas vezes passa a depender de uma visão de mundo uniforme.

Quem hoje tem 60 anos, sabe disso. Terá perdido amigos por escaramuças no Camboja ou Vietnã, por determinações de Moscou, Pequim ou Cuba, em suma, por eventos distantes que nada têm a ver com uma relação entre duas pessoas. O teórico desta perversão foi Sartre que, por questões de ideologia, rompeu laços com Camus. “A amizade, ela também, tende a ser totalitária” — disse um dia o agitador da Rive Gauche ao futuro prêmio Nobel — “urge o acordo em tudo ou a ruptura, e os sem-partido eles próprios se comportam como militantes de partidos imaginários”. É a versão xiita da amizade: ou você aceita minha ideologia, ou não podemos ser amigos. Assim, com satisfação vejo que Aristóteles, na longínqua Atenas, distante no tempo e no espaço, desde há mais de dois mil anos concorda comigo.

No livro oitavo da Ética a Nicômaco, afirma não ser possível ser amigo de muitos com perfeita amizade, como não é possível estar enamorado ao mesmo tempo de muitos. “Aqueles que têm muitos amigos e que tratam todos familiarmente, não parecem ser amigos de ninguém”. Para o estagirita, um milhão de amigos nem pensar. Cícero, ciente das responsabilidades da amizade, recomenda atenção para que não comecemos a gostar de alguém que algum dia poderemos odiar.

Amizade não é coisa para jovens, mas deve ser decidida quando o caráter está formado e a idade já é madura. Seneca, como bom estóico, acha que o sábio deve bastar-se a si mesmo. O que não impede que ele aceite com prazer um amigo que lhe seja vizinho. Para o pensador de Cordova, o sábio é impelido à amizade não “pelo interesse, mas por impulso natural”. Amizade que se funda no interesse é um “vilissimo affare”. A distância não tem o poder de prejudicar a amizade. É possível manter relações com amigos ausentes, por quanto tempo se quiser. Em verdade, a proximidade torna a amizade complicada. A amizade é sempre útil, enquanto o amor é muitas vezes absolutamente nocivo. Abelardo acentua o caráter seletivo da amizade. “Ninguém será pobre se possuir tal tesouro, tão mais precioso quanto mais raro. Os irmãos são muitos, mas entre eles é raro um amigo; aqueles a natureza cria, mas estes só o afeto te concede”. Voltaire, em seu Dicionário Filosófico, define: “é um contrato tácito entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. No que vão duas restrições. Os amigos devem ser sensíveis, porque um monge, um solitário podem não ser maus e no entanto viver sem conhecer a amizade. E virtuosos, porque os maus têm apenas cúmplices. Em suma, só os homens virtuosos têm amigos. O que Abelardo está dizendo, no fundo, é que um mau-caráter não pode ser amigo de ninguém. Uma distinção mais lúcida vamos encontrar em Kierkegaard, para quem o cristianismo aboliu a amizade. Segundo o pensador dinamarquês, o amor humano e o valor da amizade pertencem ao paganismo. Pois o cristianismo celebra o amor ao próximo, o que é distinto. Para esta religião, só o amor a Deus e ao próximo são verdadeiros. O cristão deve aprender a desconfiar do amor profano e da amizade, pois a predileção da paixão é no fundo um ato de egoísmo.

Entre o amigo e o próximo há diferenças incomensuráveis. A morte não pode extirpar o próximo. Se a morte leva um, a vida subitamente fornece um outro. A morte pode tomar de você um amigo, porque ao amar o amigo no fundo você a ele se une. Mas ao amar o próximo você se une com Deus, por isso a morte não pode tomar-lhe um próximo. Para Nietzsche, a mulher é incapaz de amizade, conhece apenas o amor. Mas seus contemporâneos homens não percorreriam mais os sendeiros da amizade. Por dois motivos. Primeiro, porque o amor entre os sexos prevaleceu sobre a amizade. Segundo, porque o cristianismo substituiu o amigo pelo próximo. Para seu profeta, Zaratustra, “vosso amor ao próximo é vosso amor por vós mesmos. Fugis rumo ao próximo fugindo de vós mesmos. Não vos ensino o próximo, mas o amigo. Não aconselho o amor ao próximo. Aconselho o amor ao remoto”. Sou avesso a isso que chamam de amor. Ou talvez avesso à palavrinha. Os filmes de Hollywood, que sempre terminavam com um indefectível “I love you”, vulgarizaram o tal de amor. Sem falar que, no fundo, é um sentimento que leva facilmente ao assassinato. Se você, leitora, um dia sentir que outro alguém a considera a única pessoa de sua vida, melhor sair de perto. De preferência, correndo.

Há algumas décadas, surgiu uma novela na televisão brasileira intitulada “Quem ama não mata”. Solene besteira. Só mata quem ama. Ao sentir que perde o que julga ser único, o bruto raciocina: se não és minha, não serás de mais ninguém”. Daí a matar é um passo. Prefiro a amizade, mesmo na relação com mulheres. Em algum momento do Quarteto da Alexandria, Lawrence Durrel dizia ser a amizade preferível ao amor porque mais duradoura. Verdade que amigos também perdemos, mas a ninguém ocorre matar alguém porque perdeu sua amizade. Amor é doença antiga, já diagnosticada pelos gregos. Assim narra Plutarco o caso de um jovem enfermo: – Erasístrato percebeu que a presença de outras mulheres não produzia efeito algum nele. Mas quando Estratonice aparecia, só ou em companhia de Seleuco, para vê-lo, Erasístrato observava no jovem todos os sintomas famosos de Safo: sua voz mal se articulava. Seu rosto se ruborizava. Um suor súbito irrompia através de sua pele. Os batimentos do coração se faziam irregulares e violentos. Incapaz de tolerar o excesso de sua própria paixão, ele tombava em estado de desmaio, de prostração, de palidez. Quando Antíoco – pois assim se chamava o enfermo – recebeu Estratonice como presente de Seleuco, seu pai, desapareceram os sintomas da doença. Que talvez tenha contagiado Seleuco, pois afinal era o marido de Estratonice. Mas isto já é outra história. Eram bons observadores, os gregos. O tal de amor é gostoso quando o experimentamos. Mas ridículo quando visto com certa distância. Amor, diria, é coisa para jovens. Jovem tendo sido, é claro que fui acometido pelo mal. (O pior é que às vezes tem recidiva). Uma vez adulto, optei pela amizade.

Ditadura descarada

É esse o “socialismo” do século 21 que os bolivarianos que ainda restam na América Latina e o PT e o PCdoB teimam em aplaudir

O Estado de S.Paulo
04 Agosto 2017

Se havia ainda algum resquício de dúvida de que o presidente Nicolás Maduro e seus asseclas do regime chavista estão mesmo dispostos a ir às últimas consequências para manter e reforçar cada vez mais a ditadura que estabeleceram na Venezuela, ele acaba de desaparecer. Não contente com a farsa do golpe da tal Assembleia Constituinte – programada para, com maioria assegurada de antemão ao chavismo, apagar os últimos traços de democracia no país, a começar pela Assembleia Nacional onde a oposição é majoritária –, 48 horas depois de sua “eleição” Maduro determinou a volta ao cárcere de dois dos principais líderes da oposição.

Leopoldo López, líder do Partido Voluntad Popular, que estava em prisão domiciliar desde 8 de julho, depois de ficar preso três anos e cinco meses, e Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, detido em 2015 por três meses e desde então em prisão domiciliar, foram levados por policiais do Serviço Secreto (Sebin) ao presídio militar Ramo Verde, por ordem do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), controlado pelo governo, acusados de dar declarações de cunho político e de planejar fugir do país.

A prisão dos líderes oposicionistas provocou forte e imediata repercussão internacional. A começar pelo Brasil, que ocupa a presidência do Mercosul e instou o governo Maduro a “libertar imediatamente López e Ledezma”, lembrando que a medida foi tomada apenas “um dia depois de uma votação para eleger uma Assembleia Constituinte em franca violação da ordem constitucional venezuelana”. Dos Estados Unidos à União Europeia (UE), o sentimento é o mesmo. O secretário de Estado, Rex Tillerson, qualificou as prisões de “alarmantes” e advertiu que a crise na Venezuela está piorando e que os Estados Unidos estão “avaliando todas as opções”.

Na UE, sobe cada vez mais o tom das críticas dos países-membros – especialmente da Espanha – ao governo Maduro, acusado de dar “um passo na direção errada” com a prisão dos líderes oposicionistas. Sanções contra a Venezuela começam a ser estudadas, embora medidas mais duras contra o país ainda sofram resistência do governo grego.

A atitude de Maduro causou também surpresa porque, com a sua Assembleia Constituinte de cartas marcadas – e cuja eleição, ainda por cima, foi fraudada, como denunciou a própria empresa responsável pelas urnas eletrônicas, a inglesa Smartmatic –, ele tinha acabado de dar mais um duro golpe na oposição. Levar de volta à prisão militar, logo em seguida, dois de seus líderes que já se encontravam em prisão domiciliar pareceu a todos – dentro e fora do país – uma tentativa deliberada de acuar ainda mais a oposição, fechando todas as portas ao diálogo para exigir dela nada menos que uma rendição incondicional. Ou seja, a aceitação cabal da ditadura cuja fachada é a Assembleia Constituinte.

O passo seguinte pode ser a neutralização definitiva da Assembleia Nacional, na qual a oposição tem maioria. O artifício a ser usado para isso é simples. O regime chavista já deixou claro que a Constituinte vai se reunir no mesmo local que ela. É fácil imaginar que não demora muito a Assembleia Nacional terá de ceder suas dependências para os constituintes de Maduro, cujos “argumentos” para isso são bem conhecidos.

Além da força das milícias armadas e do controle de instituições como os tribunais, o regime chavista se apoia também no aparelho repressivo – o Serviço Secreto e as prisões onde a tortura contra os presos políticos se generaliza, de acordo com documentos obtidos pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Eles mostram, de acordo com reportagem de Jamil Chade, que os presos políticos venezuelanos – cujo número chega a 440 – estão sendo submetidos a tratamentos bárbaros poucas vezes registrados nesse tipo de história macabra.

É esse o “socialismo” do século 21 que os bolivarianos que ainda restam na América Latina e o PT e o PCdoB teimam em aplaudir.