Lula condenado e sem o apoio unânime do PT perde as estribeiras mas não os estribos

Tal qual um cego armado até os dentes perdido em meio a um tiroteio, e disparando tresloucadamente para todos os lados, o ex-presidente larápio contumaz condenado conhecido nas rodas criminosas da bandidagem institucionalizada pelo vulgo “Lula” ou “cumpanheiro Lula”, assessorado por uma insensata senadora falastrã de marca maior que responde a processo por corrupção no exercício senatorial em vias de também ser condenada (ou não?) pelo STF, atendendo pelo nome Gleisi Hoffman, acumulando a presidência da instituição arqui-criminosa Partido dos Trabalhadores, contando ainda com outro senador petista, Lindenberg Farias, da mesma laia dos outros já citados; Lula quer mais vitrine pra justificar suas agressões contra o judiciário brasileiro e em especial pelo juiz doutor Sérgio Moro, numa cantilena espécie de ladainha cantada e decantada pelos iguais de sua quadrilha. Gleisi se vale da posição política que a blinda para desqualificar Sérgio Moro comparando-o com eles. Lindenberg, idem. Os comparsas petistas e conluiados de Lula uniram-se aproveitando o imbróglio Temer para por lenha na fogueira delatora e pintar o gralha-rouca ex-presidente como vítima política e não criminal. Acontece que o povão seguidor lulista já não tem a mesma compreensão da santidade e pureza de caráter induzida pela palavra fácil do biltre que tenta ressurgir das cinzas qual Fênix imaculada. No entanto, ainda são muitos os atrelados a ideologia nefasta do petismo na nossa política. Desses muitos não terão cura. Continuarão seguindo Lula ou seus indicados à sua ordem antolhadamente!

“Emenda Lula” ou piada da semana para um Lulla que não se emenda

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VICENTE CÂNDIDO, deputadozinho desses que a natureza não explica pra que nascem, como não podia deixar de ser, transgrediu  ativamente como mais um biltre da perdulária laia petista, e agora quer vitrine para sua infame existência.

Essa pestilência sem cura foi gestada extra uterinamente e excretada por ação maléfico-intestinal, causando espécie a parteira que teve as mãos sujas pelo excremento fecal em forma aparentemente humana e que não vagindo, extertorou assustando a quem o pegara e, ato contínuo como defesa natural, o jogou na latrina infecta da casa.  

Nesse momento a ajudante daquele suposto parto ocorrido pela via paralela em contraponto a saída vaginal, tendo um lampejo de consciência entendeu que teria de retirar “a coisa” que grunhia e mexia naquele buraco fétido no qual havia sido jogado, destino natural das diarréias, sob pena de cometer o medonho crime cuja figura jurîdica entende ser “cagassinato de incapaz”. 
Pensemos um pouco: 
Essa ocorrência inusitada, é básica para todos os “partos” nos passado, presente e futuro, dos petistas. Ou seja: desde sempre. 
Político petista não nasce. É cagado. É aberração intestinal.
Assim veio ao mundo o pior deles. Luiz Inàcio Lullarápio da Silva; Assim veio ao mundo Vicente Cândido, autor da tentativa da “Emenda Lulla” maquiada genericamente para impedir a prisão oito meses antes,  de candidato a reeleição. Em tese beneficiaria qualquer político  condenado, mas a precipuidade, escondida ou não, tem endereço certo, bem definido: salvar da cadeia e reeleger Lullarápio, bandido-safado condenado por doutor Moro a nove anos e meio atrás das grades. 
FC

O exercício da omissão

O relator Sérgio Zveiter utilizou as 31 páginas de seu parecer para afirmar, na CCJ, a indigente tese de que, se há uma denúncia, os deputados devem aceitá-la

O Estado de S.Paulo

12 Julho 2017 | 03h05

Cumprindo as expectativas, o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) apresentou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara um parecer eminentemente político sobre a denúncia feita contra o presidente Michel Temer pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Sem corresponder às suas responsabilidades constitucionais, que lhe impunham a tarefa de analisar com seriedade o conteúdo da acusação feita pelo procurador-geral, o relator utilizou as 31 páginas de seu parecer para afirmar a indigente tese de que, se há uma denúncia, os deputados devem aceitá-la. Segundo Zveiter, o papel da Câmara é justamente não cumprir o papel que a Constituição lhe dá, portando-se tão somente como despachante da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O relatório de Zveiter mencionou a existência de uma “narrativa forte”, com “sólidos indícios” contra o presidente Michel Temer. Mais do que convencer, tais palavras parecem destinadas a lançar uma cortina de fumaça sobre a acintosa fragilidade da peça acusatória. Janot acusou o presidente da República de receber vantagem indevida de R$ 500 mil, mas não apontou um único indício de que Temer teria recebido tal valor – onde, quando, como. Zveiter, no entanto, não enfrentou a questão, optando simplesmente por apoiar a admissibilidade da denúncia.

O relator teve ainda a ousadia de dizer que, atuando assim, se tinha “pleno funcionamento dos mecanismos que a Constituição Federal prevê para uma crise desta magnitude”. Ora, ao atribuir à Câmara o juízo de admissibilidade de uma denúncia contra o presidente da República, a Assembleia Constituinte de 1988 pretendeu assegurar que um presidente não seria afastado do cargo por uma denúncia inepta. Aos olhos do constituinte, esse é um assunto tão grave que não pode ser deixado a cargo apenas do Supremo Tribunal Federal.

Em vez de simplesmente reconhecer o dever que a Constituição lhe impunha, o deputado Zveiter preferiu inverter o ônus da prova e declarar a estranha teoria de que, em caso de dúvida num processo penal, deve valer a palavra da acusação. Ora, pretender afastar um presidente da República do cargo simplesmente por força da “narrativa forte” do procurador-geral da República, que não veio acompanhada dos necessários elementos probatórios, é uma perigosa arbitrariedade, que a Constituição pretendeu evitar justamente sujeitando a denúncia à apreciação da Câmara.

Cabe agora à CCJ, e, depois, ao plenário da Câmara, ter uma noção mais clara do seu papel constitucional. O inarredável caráter político do Congresso não pode levar à tese de que os deputados devem simplesmente anuir ao pedido do procurador-geral da República, como se eles não tivessem o dever de checar se os termos da acusação têm um mínimo de fundamento.

Para que a crise política não se transforme em campo aberto para a irresponsabilidade dos oportunistas de plantão, é necessário que as autoridades dos Três Poderes mantenham os pés no solo firme do bom Direito. O ordenamento jurídico deve ser o critério. Nesse sentido, são descabidas as críticas contra as trocas feitas pelos partidos da base aliada na composição da CCJ, para garantir votos favoráveis ao presidente Michel Temer. Esse tipo de condenação demonstra malicioso desconhecimento das regras parlamentares. Segundo o Regimento Interno da Câmara, cabe aos partidos designar os deputados que integrarão a comissão. É, portanto, legítimo que cada legenda assegure que os votos que lhe correspondem na CCJ estejam em conformidade com as diretrizes partidárias. Ao contrário do que alguns querem pintar, nada há de suspeito nesse tipo de articulação parlamentar. É um recurso comum e regular.

O que não é comum e regular é querer derrubar um presidente da República sem explicitar claramente a ação delituosa que teria sido cometida pelo governante. As pessoas que assim agem estão cegas de ódio e de paixão ideológica. Não veem que, se derrubarem o atual presidente, apenas transferirão a crise para o próximo que ocupar o Palácio do Planalto. E tanto pior para o País se essa pessoa for também objeto de um ou dois, talvez mais, processos da Lava Jato e operações afins. Cabe ao Congresso encontrar soluções sérias para a crise, não meios de eternizá-la.

Presidência da República e Congresso Nacional vivem hoje seu grande dia de glórias: Dia Nacional das PIZZAS

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É pizza a ver pra crer, ou que nem vendo acreditaremos?
Tem sabor de pra dar e vender…
Para isso o governo mantém a peso de ouro “pizzaiolos” nas cozinhas institucionais.

A variedade das “pizzas políticas brasileiras” é tamanha que suplanta sozinha a soma dos tipos de pizza do mundo inteiro.

Tem pizza a Senador, tem pizza a Deputado Federal, tem pizza a Deputado Distrital, tem pizza a Governador Estadual, tem pizza a Governador Distrital, tem pizza a Ministro, tem pizza a Procurador Geral da República, tem pizza a Rodrigo Janot, tem pizza a Comissão de Justiça da Câmara, tem pizza a Comissão de Ética do Senado, tem pizza a Renan Calheiros, tem pizza a Fernando Collor, tem pizza a Rodrigo Maia, tem pizza a Aécio Neves, tem pizza a Eduardo Cunha, tem pizza a Zé Dirceu, tem pizza a Antonio Palocci, tem pizza a Sérgio Cabral, tem pizza a Dilma Rousseff, tem pizza a Lularápio, tem pizza a FHC, tem pizza a Michel Temer, tem pizza a João Vaccari Neto, tem pizza a Humberto Costa,tem pizza a José Genoíno, tem pizza a Rosimere Noronha, tem pizza a Geddel Vieira Lima, tem pizza a Gleisi Hoffman, tem pizza a Paulo Bernardo, tem pizza a Petrobras, tem pizza a BNDES, a Paulo Roberto Costa, tem pizza a Marta Relaxe e Goza Suplicy, tem pizza a Caixa Econômica Federal, tem pizza a Banco do Brasil, tem pizza a José Sarney, tem pizza a Paulo Maluf, tem pizza a Supremo Tribunal Federal, tem pizza a Ricardo Lewandowski, tem pizza a Marco Aurélio, tem pizza a Dias Toffoli, tem pizza a Superior Tribunal de Justiça, tem pizza a Tribunal Superior Eleitoral, tem pizza a Gilmar Mendes, tem pizza a Advocacia Geral da União, tem pizza a Palácio Jaburu, tem pizza a Palácio da Alvorada, Palácio do Planalto, tem pizza a Gabinete da Presidência da República, tem pizza a escambal.

A pizza política no Brasil
têm ingredientes comuns em todas elas: são forradas com corrupção e recheiadas com prevaricações e compra de favores generalizados, compra de votos pontuais, e muita falta de vergonha na cara!

FC

Aos euclidianos

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A manhã estava ensolarada, agradável. Um convite silencioso para um passeio comigo mesmo pela orla marinha da minha cidade; gosto de ouvir o som das ondas na rebentação… e da paisagem ao meu redor. Mas também gosto dos livros, dos folhetos, da leitura do jornal matutino. Reticente, aproximei-me da sala de leitura e na primeira estante um dos alfarrábios se me apresenta sob os altos sons silenciosos da vastidão dos muitos títulos que nunca calam: despertou-me a atenção o exemplar da COLEÇÃO O BRASIL MOÇO, seleta de Gilberto Freyre, terceira edição, 1980, José Olympio Editora. 

Na quase bíblia prendeu-me EUCLIDES E OS SERTÕES

Prosa – Ensaio Literário

Gilberto Freyre

Era natural que nos “areiais queimosos” dos sertões Euclides parasse para se retratar ossudo e romântico ao lado dos mandacarus, dos xiquexiques, dos “cabeças-de-frade”: o seu “reino” era aquele.

O “reino” a que ele próprio se havia de referir uma vez, falando meio desdenhosamente de poetas. Dessas suas palavras se serviria um tanto irônico o geólogo John Caspet Branner, com o aplauso de Afrânio Peixoto, para fazer o elogio do poeta d’Os Sertões e a crítica incisiva do seu livro:  “o poeta é soberano no pequeno reino onde o entroniza a sua fantasia”.

Os Sertões foram, na verdade,  o reino do poeta Euclides da Cunha. Sua Pasárgada, como diria Manuel Bandeira. Antes de Euclides a paisagem brasileira tivera entre os poetas e os romancistas os seus simpatizantes e até entusiastas: o maior deles José de Alencar. O autor d’Os Sertões foi o primeiro caso de verdadeira empatia. Simpatia só, não: empatia. Ele não só acrescentou-se os Sertões como acrescentou os sertões para sempre à sua personalidade e ao “caráter brasileiro” de que ficou um dos exemplos mais altos e mais vivos. Uma espécie de mártir. 

Foi nos sertões que as centenas de mãos esquerdas do magricela desajeitado que já entortara uma espada num instante de fúria – e talvez centenas de penas noutros momentos de raiva menos espetaculosas – começaram verdadeiramente a se disciplinar sob uma vocação poderosa: a de escritor em função da “paisagem brasileira“ que ficou sendo para ele mais do que a “imagem da República”  – que também teve para Euclides um sentido místico – uma espécie de prolongamento da imagem materna e, ao mesmo tempo, da própria. 

Impossivel separar Euclides dessa paisagem-mãe que se deixou interpretar por ele, e pelo seu amor e pelo seu narcisismo,  como por ninguém. 

Na descrição dos sertões, o cientista erraria em detalhes de Geografia, de Geologia, de Botânica, de Antropologia;o sociólogo, em pormenores de explicação e de diagnósticos sociais, do povo sertanejo. Mas para o redimir dos erros da técnica, havia em Euclides da Cunha o poeta, o profeta, o artista cheio de intuições geniais. O Euclides que descobrira na paisagem e no homem dos sertões valores para além do certo e do errado da gramática da Ciência.

O poeta viu os sertões com um olhar mais profundo que o de qualquer geógrafo puro. Que o de qualquer simples  geólogo ou botânico. Que o de qualquer antropólogo.

O profeta clamou pelos sertões: deu-lhes um significado brasileiro, ao lado do puramente paisagístico. Ou do indistintamente humano. 

O artista os interpetrou em palavras cheias de força para ferir os ouvidos e sacolejar a alma dos bacharéis pálidos do litoral com o som de uma voz de moça e às vezes dura, clamando a favor do deserto incompreendido, dos sertões abandonados,  dos sertanejos esquecidos.

Porque ele foi a voz do que clamou a favor do deserto brasileiro: endireitai os caminhos do Brasil! (O Brasil era o seu Senhor”.) Os caminhos entre as cidades e os sertões. Esta foi a grande mensagem de Euclides:  que era preciso unir-se  sertão com o litoral para salvação – e não apenas conveniência – do Brasil. O sertão era “salvador”: salvador dele, Euclides, e salvador do Brasil. Mensagem transmitida aos homens da República de 1889 em palavras de artista interessado pela política. Mensagem deformada depois pelos que fizeram dos sertões em si – e não de sua comunicação com o litoral agrário – quase uma mística, uma espécie de seita protestante que acreditasse poder salvar o Brasil com a água dos açudes do Nordeste – nos quais se têm talvez empregado somas em desproporção com o seu valor social para a nação brasileira. A Euclides como que repugnava na vegetação tropical e na paisagem dominada pelo engenho de açúcar o gordo, o arredondado, o farto, o satisfeito, o mole das formas; seus macios como que de carne; o pegajento da terra; a doçura do massapê. Atraía-o o anguloso, o ossudo, o hirto dos relevos ascéticos ou, quando muito, secamente masculinos, do “agreste” e dos “sertões”. Dos tipos e dos cenários sertanejos, ele destaca os relevos mais duramente angulosos, em palavras também duras, quase sem fluidez nenhuma e como que assexuais. Palavras às vezes enfeitadas de arabescos glorificadores, exageros de idealização monumental, lugares-comuns de geometria oratória: “beleza olímpica”, “primor de estatuária”, “linhas ideais de predestinado”, “olhar, num lampejo viril, iluminando-lhe a fronte”. Nunca porém sem seu relevo. Sempre impressionantes e quase sempre vigorosos – de um vigor novo na língua: um vigor escultural.

Porque ele é, na verdade, uma espécie de El Greco ou de Alonso Berruguete da prosa brasileira: tira das palavras o máximo de recursos esculturais, embora com sacrifício, mais de uma vez, de qualidades de discriminação e de inflexäo – as grandes qualidades, entre os mestres brasileiros seus contemporâneos, de Machado, de Nabuco e do próprio Pompéia. Qualidades quase impossíveis dentro do gosto do brônzeo, do escultural, do geométrico, do hirto, do anguloso, em que Euclides se requinta como sob o domínio de uma obsessão quase mística: a de evitar a carne, suas curvas, sua inconstância, o momento que passa, a banalidade cotidiana. (De Vida, Forma e Cor, 1a ed., Rio, 1962.)

opinião
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Apelo ao bom senso

Folha de São Paulo
26/06/2017 02h00

As dificuldades políticas pelas quais passamos têm claros efeitos sobre a conjuntura econômica e vêm se agravando a cada dia. Precisamos resolvê-las respeitando dois pontos fundamentais: a Constituição e o bem-estar do povo.

Mormente agora, com 14 milhões de desempregados no país, urge restabelecer a confiança entre os brasileiros para que o crescimento econômico seja retomado.

A confiança e a legalidade devem ser nossos marcos. A sociedade desconfia do Estado, e o povo descrê do poder e dos poderosos. Estes tiveram a confiabilidade destruída porque a Operação Lava Jato e outros processos desnudaram os laços entre corrupção e vitórias eleitorais, bem como mostraram o enriquecimento pessoal de políticos.

Não se deve nem se pode passar uma borracha nos fatos para apagá-los da memória das pessoas e livrar os responsáveis por eles da devida penalização.

A Justiça ganha preeminência: há de ser feita sem vinganças, mas também sem leniência com os interesses políticos. Que se coíbam os excessos quando os houver, vindos de quem venham –de funcionários, de políticos, de promotores ou de juízes. Mas não se tolha a Justiça.

Disse reiteradas vezes que o governo de Michel Temer (PMDB) atravessaria uma pinguela, como o de Itamar Franco (1992-1994).

Colaborei ativamente com o governo Itamar, apoiei o atual. Ambos com pouco tempo para resolver grandes questões pendentes de natureza diferente: num caso, o desafio central era a inflação; agora é a retomada do crescimento, que necessita das reformas congressuais.

Nunca neguei os avanços obtidos pela administração Temer no Congresso Nacional ao aprovar algumas delas, nem deixo de gabar seus méritos nos avanços em setores econômicos. Não me posiciono, portanto, ao lado dos que atacam o atual governo para desgastá-lo.

Não obstante, o apoio da sociedade e o consentimento popular ao governo se diluem em função das questões morais justa ou injustamente levantadas nas investigações e difundidas pela mídia convencional e social.

É certo que a crítica ao governo envolve todo tipo de interesse. Nela se juntam a propensão ao escândalo por parte da mídia, a pós-verdade das redes de internet, os interesses corporativos fortíssimos contra as reformas e a sanha purificadora de alguns setores do Ministério Público.

Com isso, o dia a dia do governo se tornou difícil. Os governantes dedicam um esforço enorme para apagar incêndios e ainda precisam assegurar a maioria congressual, nem sempre conseguida, para aprovar as medidas necessárias à retomada do crescimento.

Em síntese: o horizonte político está toldado, e o governo, ainda que se mantenha, terá enorme dificuldade para fazer o necessário em benefício do povo.

Coloca-se a questão agônica do que fazer.

Diferentemente de outras crises que vivemos, nesta não existe um “lado de lá” pronto para assumir o governo federal, com um programa apoiado por grupos de poder na sociedade.

Mais ainda, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) declarou que as eleições de 2014 não mostraram “abusos de poder econômico” (!) [em julgamento encerrado no dia 9 de junho, não há como questionar legalmente o mando presidencial e fazer a sucessão por eleições indiretas.

Ainda que a decisão tivesse sido a oposta, com que legitimidade alguém governaria tendo seu poder emanado de um Congresso que também está em causa?

É certo que o STF (Supremo Tribunal Federal) pode decidir contra o acórdão do TSE, coisa pouco provável. Em qualquer caso, permaneceria a dúvida sobre a legitimidade, não a legalidade, do sucessor.

Resta no arsenal jurídico e constitucional a eventual demanda do procurador-geral da República pedindo a suspensão do mandato presidencial por até seis meses [a iniciativa precisa ser aprovada por dois terços dos deputados] para que se julgue se houve crime de improbidade ou de obstrução de Justiça.

Seriam meses caóticos até chegar-se à absolvição [pelos ministros do STF] –caso em que a volta de um presidente alquebrado pouco poderia fazer para dirigir o país- ou a novas eleições. Só que estas se dariam no quadro partidário atual, com muitas lideranças judicialmente questionadas.

Nem assim, portanto, as incertezas diminuiriam –nem tampouco a descrença popular.

O imbróglio é grande.

Neste quadro, o presidente Michel Temer tem a responsabilidade e talvez a possibilidade de oferecer ao país um caminho mais venturoso, antes que o atual centro político esteja exaurido, deixando as forças que apoiam as reformas esmagadas entre dois extremos, à esquerda e à direita.

Bloqueados os meios constitucionais para a mudança de governo e aumentando a descrença popular, só o presidente tem legitimidade para reduzir o próprio mandato, propondo, por si ou por seus líderes, uma proposta de emenda à Constituição que abra espaço para as modificações em causa.

Qualquer tentativa de emenda para interromper um mandato externa à decisão presidencial soará como um golpe.

Não há como fazer eleições diretas respeitando a Constituição Federal; forçá-las teria enorme custo para a democracia.

Por outro lado, as eleições “Diretas-Já” não resolvem as demais questões institucionais, tais como a necessária alteração dos prazos para desincompatibilização [de cargos públicos e eletivos por parte de possíveis postulantes], eventuais candidaturas avulsas, aprovar a cláusula de barreira e a proibição de alianças entre partidos nas eleições proporcionais. Sem falar no debate sobre quem paga os custos da democracia.

Se o ímpeto de reforma política for grande, por que não envolver nela uma alteração do mandato presidencial para cinco anos sem reeleição? E, talvez, discutir a oportunidade de antecipar também as eleições congressuais. Assim se poderia criar um novo clima político no país.

Apelo, portanto, ao presidente para que medite sobre a oportunidade de um gesto dessa grandeza, com o qual ganhará a anuência da sociedade para conduzir a reforma política e presidir as novas eleições.
Quanto tempo se requer para aprovar uma proposta de emenda à Constituição e redefinir as regras político-partidárias? De seis a nove meses, quem sabe?

Abrir-se-ia assim uma vereda de esperança e ainda seria possível que a história reconhecesse os méritos do autor de uma proposta política de trégua nacional, sem conchavos, e se evitasse uma derrocada imerecida.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO foi presidente do Brasil (1995-2002) pelo PSDB