Por Marco Antônio Villa

Este episódio ainda está muito nebuloso. É tudo muito estranho. Vale algumas perguntas:

 

1. Como começou? Pela simples transmissão oral? Mas como atingiu vários estados?

2. Como a CEF abasteceu os caixas eletrônicos? Tinha o dinheiro disponível? Mas o transporte do dinheiro não depende de um agendamento com as transportadoras? Elas foram avisadas na hora? Tinham veículos disponíveis? E os guardas estavam avisados?

3. Adiantar o benefício? Como? E para dezenas de milhares de beneficiados? Qual o mecanismo de controle?

4. A quem interessa tal boato?

5. A declaração da ministra (?) Maria do Rosário não poderia ser parte de uma tentativa de emparedar a oposição?

6. Não foi estranha a declaração da presidente associando os “pessimistas” e logo depois falou dos “boatos criminosos”?

7. Não pode ser um prenúncio de como vai ser a campanha eleitoral do ano que vêm?

8. Vale a pena recordar a frase do ex-seminarista Gilberto Carvalho: “Em 2013 o bicho vai pegar”.

Veja.com – Augusto Nunes

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O diabo voltou a atacar?

Publicado: 21 de maio de 2013 em Blogroll
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Presidente Dilma Rousseff, arrogantemente e sem qualquer indício de ética numa de suas declarações, disse que para ganhar uma eleição faria o diabo sem qualquer contemplação.

As eleições de 2014 estão chegando. Então é justo entender que o caso que explodiu sobre o fim da Bolsa Família esteja ligado diretamente à parceria dilmo-petista com o diabo no inferno?

Dilma na indignação de fachada, disse que determinou a PF investigar o caso. Mas teve um dos cupinchas dela, e braço esquerdo, que ignorou a chefona, fez um by pass e passou em julgado que quem originou a boataria foi a oposição.

 É o diabo se manifestando na mansão da corrupção petista, cujo palanque tal e qual uma Babel, ninguém se entende.

  FC

Vejo com muita preocupação a fala do ex-presidente Lula, quando das comemorações do 10º ano do PT no governo do Brasil:

O político ideal que vocês desejam, aquele cara sabido, aquele cara probo, irretocável do ponto de vista do comportamento ético e moral, aquele político que a imprensa vende que existe, mas que não existe, quem sabe esteja dentro de vocês”.

 Lula mais que sugere que somos todos, enquanto brasileiros,  imorais, política, desonesta e desonradamente. Não somos. Não sou.

 Crápulas, cretinos, falastrões dessa natureza são, em primeiro lugar, ele, o Lula, e seus “cumpanheiros” diretos, mentores competentes artífices de artimanhas, que juntos ou separados, lesam  corruptamente, o erário. Sempre.

 Nessa esteira se enquadram os “cumpanheiros” indiretos. A legião do eleitorado que sufraga o PT nas urnas em troca de benesses, bolsas de qualquer natureza, escambo e venda de votos. Entre esses, há uma parte iludida na boa fé. O conjunto dos eleitores alienados de menor cultura; escolaridade próxima do zero; analfabetos etc.

 As falas da gralha rouca garanhunsense são muitas. Não poupa nem a criatura de sua lavra, a presidente eleita que não preside, senão vejamos:

 “Eles (a mídia e a oposição) vivem exilados dentro do Brasil. Não estão compreendendo o que está acontecendo no Brasil. Por isso estamos caminhando fortemente para que Vossa Excelência seja presidente por mais quatro anos”.

 Em termos, o apedeutismo lulista se manifesta claramente nessa conclusão, confessando a causa dela estar no alto do patamar da popularidade e das intenções de votos. Ela não presta como presidente!

O arremedo oposicionista com seus desfoques  consente nesta afirmação: Ruim com ela, pior sem ela. 

 O ex-presidente é na verdade, o ventríloquo e governante de fato que transformou a presidente Dilma em mero boneco de fantoche, à serventia debochada da oposição, e do cidadão de bem.

 Lula, brasileiros dignos, trabalhadores, aposentados, pensionistas, desempregados, decentes, honrados e honestos, não pactuam com a verborréia exalada do seu pensamento pernicioso e chocante. Tampouco são bandidos como sua corja e laia.

 

FC.

Janer Cristaldo
“Rendo graças aos deuses, por ter nascido grego e não bárbaro; livre e não escravo; homem e não mulher; rendo-as, porém, acima de tudo, por ser contemporâneo de Sócrates” – dizia Platão. Já que não sou contemporâneo de Sócrates, rendo graças por beneficiar-me da era da Internet.  Nasci em local e época em que até o rádio era privilégio de fazendeiros e, de lá para cá, vi não poucas maravilhas, desde o telefone ao computador.
Da Internet ninguém mais escapa. Mesmo que você ache que está fora, não está. Sem ir mais longe, declaração de IR, hoje, só por bytes. Fora outra série de circunstâncias do dia-a-dia que o tornam dependente da rede. Independente, só mesmo morando em uma ilha deserta, e aí mesmo é que a Internet se faz necessária.
Há bravos que resistem. Entre meus correspondentes, tenho três neoluditas que mantém uma respeitosa distância do computador. Ou mantinham. Aníbal Damasceno, um bom amigo, partiu de vez no ano passado. Para Maria, minha ex-professora de francês, enviei um computador, sem mais palavras. Acho que entendeu o recado. Resta o Francisco Araújo, já octogenário, meu companheiro de tertúlias na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, daqueles idos em que se podia passear e conversar nas ruas na madrugada.
Se a Internet facilita a vida de todo mundo, isto vale bem mais para o idoso. Pessoas de idade provecta se restringem mais às quatro paredes e perdem muitos de seus contatos. O que é normal. Quando jovens, costumamos ler os anúncios de formatura e casamentos para saber dos amigos. Com o tempo, passamos a consultar os necrológios. É para lá que foram – ou vão – os nossos diletos. A Internet torna-se então um meio eficaz de conversar com pessoas distantes – e mesmo próximas – e de reencontrar outras que há muito tempo perdemos de vista. E pode-se ler jornais sem buscá-los nas bancas.
Minha professora de francês à parte, perdi tempo com meus dois outros correspondentes. Araújo foi contador, ofício bem mais complicado que navegar por um menu. Em uma de suas últimas viagens, chamei-o às falas. Araújo, sabes datilografar, não é verdade? Então compra um computador e faz um e-mail. Estaremos conversando durante toda tua viagem. Quando chegares a uma cidade que me é familiar, te mando o caminho das pedras. Nada feito. O homem se mantém até hoje irredutível.
Há uns dez anos, viajando por Portugal, fiz um despilfarro. Apaixonei-me por um par de estribos além-tejanos, de madeira, pesando uns dois quilos cada um. Me pareceram perfeitos para guardar cartas. Não resisti. O peso dos dois equivalia quase ao de minha bagagem. Mesmo assim os trouxe. Para dar-me conta, desolado, que eu já não recebia mais cartas. Enfim, para guardar algum papel, contas que mais não seja, continuam servindo.
A Internet foi meu grito de independência. Desde os vinte – a bem da verdade, desde os quinze – escrevo em jornal. Mas nunca pude escrever o que queria. Sempre tive de policiar-me. Na rede, sou dono de meu nariz. Não tenho chefe nem editor que me censure. Por isso, parafraseio Platão.
Milagre da era das comunicações, consegui falar com a cidade onde me criei. Afastei-me de Dom Pedrito lá pelos 15 anos. De lá para cá, pouco conversei com os pedritenses. Alguma comunicação de uma mão só até que houve, quando escrevia na Folha da Manhã, de Porto Alegre. Mas lá só chegavam uns cinco exemplares do jornal, se tanto, e era como jogar palavras ao vento. Há alguns anos, uma alma generosa criou a comunidade Pedritenses no Facebook e teve a suma gentileza de convidar-me a dela participar. Hoje, estou charlando com contemporâneos de meus dias de guri, alguns dos quais só conhecia de nome.
Há pouco houve uma polêmica a cidade, que demonstra um certo neoluditismo dos nativos. Alguém deu um equipamento wi-fi ao hospital local e houve quem protestasse, dizendo que o hospital tinha necessidades mais prementes. Pode ser. Mas a burro dado não se olha o pêlo. Sem falar que um raio X beneficia alguns pacientes, enquanto Internet beneficia todos. Uma boa conexão afasta os miasmas doentios do quarto do paciente e o joga no mundo. Houve quem alegasse que Internet é pão e circo. Para muitos, pode ser que seja. Mas é bem mais do que isso para quem é prisioneiro de um quarto.
Em fevereiro passado, passei mais de mês no estaleiro. Mais ainda, estava mudo. (Em verdade, ainda estou).Tinha meus recursos para fugir do quarto. Lia jornais e recitava mentalmente poemas e trechos de ópera. Mas a Internet foi uma mão na roda. Conversei o tempo todo com amigos que tenho no Brasil e mundo afora, tivesse acesso à imprensa nas línguas que conheço e consegui inclusive postar crônicas e discuti-las na rede. Para quem desconhecia minhas circunstâncias, era como se estivesse “vivito y coleando”, como dizem os espanhóis.
Se Internet é bom, para idosos é uma benção. Foi o que tentei passar a meus macróbios. Se alguns relutam, vejo que a velharada está aderindo ao bom esporte. Recente estudo do IBGE, mostra que a terceira idade está invadindo a Internet. Brasileiros a partir de 50 anos de idade tiveram maior crescimento no acesso à web desde 2005, com aumento que chega a 222,3%.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados ontem pelo IBGE, “esse avanço está diretamente ligado à maior qualidade de emprego da população, que ao longo desses seis anos conquistou um rendimento mais alto, de forma geral, em razão de uma melhora do cenário econômico de todo o país”, conforme explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Houve crescimento em todos os grupos de idade, em geral acima dos 100%, mas a variação foi muito mais representativa no grupo dos 50 anos de idade ou mais: 222,3% no período de seis anos – um incremento de aproximadamente 5,6 milhões de pessoas.
É uma multidão que invade a web com um objetivo principal: aumentar suas relações sociais, segundo um estudo da Universidade de Brasília de 2009. Seja por meio de redes sociais, salas de bate-papo ou blogs com espaço para comentários, o que eles querem é interagir e reduzir a sensação de solidão.
Bom ver a velharada teclando. Se um dia os escritores foram os responsáveis maiores pela comunicação entre seres humanos, hoje são engenheiros jovens e anônimos que propiciam este diálogo. Se uma imagem valia mais que mais mil palavras, hoje um computador vale mais que mil livros. Sem falar que pode nos conectar a estes mil – ou mais – livros.
A velharada decidiu teclar. Bem-vindos sejam ao presente.

- Enviado por Janer @ 9:57 PM

Por Rodrigo Constantino

A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo. É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de Manifesto do Nada na Terra do Nunca, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.

Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como reacionário ou roqueiro decadente. Fogem do debate.

Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma radical chic descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.

O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o sistema por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do Bom Selvagem de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.

Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os humildes: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da Beautiful People são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.

Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os intelectuais influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.

Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua imbecilidade, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos intelectuais e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.

Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em bolsa artista para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.

O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do império estadunidense. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.

No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia não só pela música.

Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da alternativa liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.

(Transcrito da Veja/Reinaldo Azevedo)

Veja.com.br - Jean-Philip Struck

Os irmãos Jorge e Tião Viana receberam mais de 375 000 reais para suas campanhas de empresas investigadas pela Polícia Federal

Empreiteiras suspeitas de integrarem um cartel para fraudar e repartir entre si obras de pavimentação em todo o Acre aparecem entre os maiores financiadores de campanhas de petistas na região – há catorze anos, o PT administra o estado.

Na semana passada, uma operação da Polícia Federal revelou o esquema e prendeu quinze pessoas, entre elas o secretário de Obras do governo Tião Viana (PT) e um sobrinho do governador. O Ministério Público Estadual suspeita que as empresas e os servidores envolvidos desviaram pelo menos 4 milhões de reais em seis contratos fraudados.

Também foram presos ou levados para prestar depoimento os donos das sete empreiteiras suspeitas de formar o cartel, chamadas pela PF de “G-7”. Seis delas aparecem como doadoras nas prestações de contas de candidatos petistas em 2010 e 2012, de acordo com registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O governador Tião Viana é um dos maiores beneficiados. Em 2010, as cinco empreiteiras suspeitas – MAV Construtora, Construterra, Ábaco, Eleacre e Albuquerque Engenharia – doaram um total de 255 000 reais para o comitê financeiro petista para governador. A mais generosa foi a MAV Construtora, que repassou 80 000 reais. A Eleacre doou 35 000 reais – 25 000 reais foram doados em espécie de acordo com planilha do TSE.

Já o irmão de Tião, o ex-governador e primeiro vice-presidente do Senado, Jorge Viana, recebeu 120 000 reais das empresas. A MAV aparece novamente como a maior doadora, tendo contribuído com 35 000 reais para a campanha do senador. Os empreiteiros José Adriano Ribeiro da Silva e João Francisco Salomão, da MAV e Eleacre, respectivamente, estão entre os presos da operação da PF. Entre os doadores também aparece a Ábaco, que doou 20 000 reais. A empresa pertence a Sérgio Yoshio Nakamura, ex-diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre) à época em que Jorge governou o estado, entre 1999 e 2006.

Os valores não parecem altos, mas representam uma fatia significativa na arrecadação oficial dos candidatos – em números absolutos, as campanhas eleitorais no Acre são mais baratas do que em boa parte do Brasil. Por exemplo: o valor doado pelas empresas para Jorge Viana representa 13% do total arrecadado pelo comitê petista para senador.

Doações – A generosidade das empresas não se limitou aos irmãos Viana, mas também resultaram em doações para candidatos a deputado estadual e federal e ao diretório estadual do partido. A Albuquerque Engenharia doou 40 000 reais para a direção estadual do PT e 115 000 reais para candidatos a deputado estadual e federal. Além das cinco empresas, também aparece nessa categoria de doação a Etenge Engenharia, outra empresa suspeita de formar o cartel. De acordo com os dados do TSE, ela doou 30 000 reais para candidatos a deputado do PT. No total, as seis empresas doaram cerca de 220 000 reais para campanhas de deputado federal e estadual do PT.

Na campanha de 2012, cerca de dois anos depois de Tião assumir o governo, as cinco empreiteiras resolveram ser ainda mais generosas com o PT acriano, mas desta vez adaptaram a estratégia de doação à natureza da eleição municipal. Nesse ano, foi a direção estadual do PT que concentrou as doações das seis empreiteiras. O total passou de 1,1 milhão de reais, que foram repartidos entre seus candidatos – a maior parte da verba acabou indo parar na campanha do atual prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre (PT). Só a MAV Construtora foi responsável pela doação de 515 000 reais para o PT estadual. A segunda em generosidade foi a Ábaco Engenharia, que doou 250 000 reais. A Albuquerque Engenharia doou 350 000 reais – 240 000 para a campanha de Marcus Alexandre e 110 000 para o PT acriano.

Presos – Os quinze presos na operação da PF continuam detidos. A maior parte está no presídio federal de Rio Branco, apelidado de “Papudinha” – referência ao complexo de presídios próximo a Brasília. O sobrinho de Tião e Jorge Viana, Tiago Viana das Neves Paiva, recebeu a visita do tio senador no sábado. A PF deve concluir o inquérito nos próximos quinze dias.

G1.globo.com/bomdiabrasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, negou recurso contra a condenação do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, no julgamento do mensalão. Ele pedia a revisão da pena pelo crime de formação de quadrilha.

A defesa de Delúbio Soares informou que vai recorrer da decisão do presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa. O ex-tesoureiro do PT é um dos 25 condenados no julgamento do mensalão. Por formação de quadrilha e corrupção ativa, a pena recebida foi de oito anos e onze meses de prisão.

Na condenação por formação de quadrilha, Delúbio Soares teve votos favoráveis de quatro ministros. Por isso, pode entrar com recurso questionando a condenação, os chamados embargos infringentes.

Ao negar o recurso a Delúbio Soares, Joaquim Barbosa explica que embargos infringentes são previstos no regimento interno do Supremo, de 1980. Mas uma lei, de 1990, derruba o recurso ‘em ação penal originária do Supremo’, como é o caso do processo do mensalão.

A lei prevê embargos infringentes apenas para processos na área cível. Joaquim Barbosa afirma que ‘admitir embargos infringentes é apenas uma forma de eternizar o feito, o que conduzirá ao descrédito à Justiça brasileira’.

A discussão sobre os embargos infringentes vem mobilizando os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não há consenso entre os magistrados se eles devem ser aceitos. A decisão final será do plenário da corte, ainda sem previsão. Na prática, os embargos infringentes representam tentativa de conseguir um novo julgamento.

Delúbio Soares foi o único condenado a entrar com o recurso. Outros 11réus também podem recorrer com embargos infringentes.

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